Filogenética de morcegos nectarívoros (Phyllostomidae: Lonchophyllinae) baseada em pintura cromossômica multidirecional (ZOO-FISH), com a descrição de dois novos citótipos para o gênero monotípico Hsunycteris

Thayse Cristine Melo Benathar, Cleusa Yoshiko Nagamachi, Lena Geise, Luis Reginaldo Ribeiro Rodrigues, Patrícia Caroline Mary O’Brien, Malcom Andrew Ferguson-Smith, Fengtang Yang, Júlio Cesar Pieczarka

Resumo


A subfamília Lonchophyllinae foi recentemente dividida em duas tribos, Lonchophyllini e Hsunycterini. Lonchophyllini abriga os gêneros Lionycteris Lonchophylla, Platalina e Xeronycteris. Hsunycterini abriga o gênero Hsunycteris, que, além de abrigar vários citótipos diferentes, também possui elevados níveis de divergência genética entre táxons coespecíficos, sugerindo que a sua diversidade está subestimada. A citogenética clássica, atrelada ao uso da pintura cromossômica multidirecional, permite comparações mais detalhadas entre os taxa e a identificação de rearranjos entre espécies e/ou gêneros, permitindo assim uma boa resolução de questões filogenéticas. Neste contexto, o presente estudo verifica a existência de possíveis variações cromossômicas intrapopulacionais atribuídas à H. thomasi através dos bandeamentos cromossômicos, como também investigar as relações evolutivas desta subfamília através da reconstrução filogenética baseada em pintura cromossômica multidirecional (ZOO-FISH), utilizando sondas de cromossomos totais de Carollia brevicauda e Phyllostomus hastatus. As análises filogenéticas foram realizadas utilizando métodos cladísticos baseados no critério de parcimônia, com o auxílio do software PAUP. Utilizamos como grupo externo as subfamílias Desmodontinae e Macrotinae, visando estabelecer um mapeamento cromossômico comparativo entre os gêneros Hsunycteris, Lionycteris e Lonchophylla. Os resultados encontrados sugerem que os representantes da tribo Lonchophyllini (Lionycteris e Lonchophylla) estão intimamente relacionados, baseados nos dados cromossômicos (clássicos e moleculares), compartilhando a mesma morfologia cromossômica, número diploide (2n = 28), número fundamental (FN = 50) e associações sintênicas (PHA 1p/5p/3p, PHA 1q/8inv e PHA 5q/12p/9q). Observamos a presença de variação intraespecífica em Hsunycteris thomasi, com 2n variando entre 30 a 36 cromossomos e NF variando de 38 a 48. Além disso descrevemos dois novos citótipos, 2n=36/NF=46 e 2n=34/NF=48. As associações sintênicas que apoiam o clado Hsunycterini são PHA10/13p, PHA14/4/14 e inversão em PHA11. Os processos responsáveis pela diversificação cariotípica desta subfamília seriam translocações (Lonchophyllini), fusões e fissões (Hsunycterini). As associações sintênicas PHA5/3, PHA14/4 e inversão em PHA8 podem ser consideradas como assinatura cromossômica que define a subfamília Lonchophyllinae. A nossa proposta filogenética mostra-se bem apoiada, congruente com a topologia molecular recente sobre a relação das tribos como taxa irmã, bem como a monofilia de Lonchophyllinae.


Palavras-chave


Morcegos nectarívoros, ZOOFISH; Filogenética

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0367.2017v38n1suplp172

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