Toxicidade e citogenotoxicidade ambiental do Rio São Francisco no polo Petrolina (PE)/Juazeiro (BA) mediante bioensaio Allium cepa L.

Ilka Fernanda Mendes Pereira, Ana Christina Brasileiro Vidal, Laysla dos Santos Motta, Cinthia dos Santos Silva, Draulio Costa da Silva, Paula Tereza da Silva, Kyria Cilene de Andrade Bortoleti

Resumo


Alterações genéticas, em nível de cromossomo, são amplamente utilizadas na identificação de danos gerados por contaminantes ambientais. O presente trabalho avaliou a toxicidade e citogenotoxicidade de compostos presentes nas águas e sedimentos do rio São Francisco, coletadas em duas áreas receptoras de efluentes em Juazeiro-BA (A1/efluente urbano-agrícola) e Petrolina-PE (A2/urbano-industrial) mediante bioensaio Allium cepa L. Três pontos de amostragem [à montante (M), no despejo (E) e à jusante (J) do efluente] foram determinados em cada área, coletando-se amostras compostas durante as estações de estiagem (Agosto/2015) e chuvosa (Março/2016). Raízes de A. cepa germinadas nas amostras em análise, nos controles negativo (água ultrapura) e positivos (Metil metano-sulfonato e Trifluralina) foram medidas, fixadas e utilizadas na confecção de lâminas seguindo método de Feulgen. Foram analisadas 7500 células/tratamento e os resultados comparados ao controle negativo, utilizando teste de Tukey ou Kruskal-Wallis (p<0,05). Na estação de estiagem, foi notada diminuição do índice de germinação (%) em cinco amostras [água (MA1; 64,7); (EA2; 61,3); (JA2; 60,7) e sedimento (MA2; 68); (JA2; 56,7)], bem como do comprimento médio das raízes (cm) submetidas a sete amostras [água (MA1; 0,59); (EA1; 0,61); (JA1; 0,63); (EA2; 0,53) e sedimento (EA1; 0,55); (JA1; 0,65); (JA2; 0,42)]. Entretanto, na estação chuvosa, quatro amostras [água (MA1; 0,45) e sedimento (MA1; 0,50); (EA2; 0,50); (JA1; 0,5)] estimularam o crescimento das raízes, evidenciando-se toxicidade em ambas as estações. Para a citotoxicidade, observou-se um baixo índice mitótico (%) em três amostras na estiagem [sedimento (EA1; 12,83); (EA2; 11,40); (JA2; 7,08)] e uma na chuvosa [água (JA2; 9,83)], situação contrária ao aumento de divisão celular notado para amostra de sedimento EA2 (19,67). A frequência de micronúcleos, perdas e quebras cromossômicas (%) apontaram genotoxicidade nas amostras de água EA1 (1,17 e 0,96, nas estações de estiagem e chuvosa), em todas as amostras de sedimento da A1 na estiagem, bem como para os sedimentos EA2 (2,60) e JA2 (1,71) na chuvosa. Sugere-se que a ação antagonista e/ou sinergética das concentrações elevadas de nutrientes e metais pesados (Ni, Pb, Fe, Cu e Cr) nas amostras em estudo seja responsável pelas alterações evidenciadas, ressaltando a importância do monitoramento deste rio.

Palavras-chave


Submédio São Francisco; Água; Sedimento

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1679-0367.2017v38n1suplp247

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