Trajetória funcional de idosos submetidos à ventilação mecânica invasiva e associação entre medida da independência funcional e força muscular periférica

Daniel Martins Pereira, Edson Mamoru Tamaki, Sonia Maria Oliveira de Andrade, Ana Carolina dos Santos Demarchi, Baldomero Antonio Kato da Silva

Resumo


Introdução: Os idosos apresentam alterações fisiológicas próprias do processo de senescência que os tornam mais suscetíveis a eventos adversos durante a internação hospitalar. A hospitalização por doença aguda ou crônica descompensada pode resultar em uma série de complicações não relacionadas à causa inicial da internação. Objetivos: Analisar as alterações da medida de independência funcional (MIF), ao longo do tempo, e verificar as correlações com a força muscular periférica. Métodos: Cem idosos submetidos à ventilação mecânica invasiva participaram inicialmente do estudo, restando 27 participantes, que foram acompanhados até seis meses após a alta hospitalar. A independência funcional foi avaliada em três momentos: antes da internação, na alta hospitalar e seis meses após a alta. A força muscular foi mensurada pelo teste de força muscular do Medical Research Council Scale (MRC), nos momentos da alta hospitalar e seis meses após. Resultados: A pontuação da MIF, antes da internação hospitalar, foi para os dois grupos, respectivamente, 111,0 (74,0–125,0) e 126,0 (116,0–126,0) pontos de mediana e intervalo interquartílico, com estado funcional melhor para o grupo sobrevivente, em relação ao grupo não sobrevivente (p=0,0001). Para os sobreviventes, foi observada pontuação total, antes da internação de 126,0 (116,0–126,0) e na alta hospitalar de 75,0 (36,0–111,0) pontos (p<0,0001). Seis meses após a alta hospitalar, a pontuação da MIF foi novamente mensurada, com pontuação de 117,0 (93,5–123,5). O valor médio da força muscular periférica, para o momento de alta hospitalar, foi de 38,9 (16,1) pontos e, seis meses após a alta, foi de 49,1 (9,2) (p=0.0253). A MIF se correlacionou, significativamente, com a força muscular periférica na alta hospitalar (rs=0,7956; p<0,0001) e, também, seis meses após a alta (r=0,7954; p<0,0001). Conclusão: A independência funcional sofreu redução significativa, após a internação na UTI, para os idosos que necessitaram de ventilação mecânica invasiva e que sobreviveram à internação hospitalar, com recuperação, em classificação de independência completa e/ou modificada, 6 meses após a internação. Houve relação diretamente proporcional significativa entre força muscular e medida de independência funcional.


Palavras-chave


Idosos; Atividades Cotidianas; Força Muscular.

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