Quais fatores determinam o uso de oxigênio no treinamento físico de pacientes com DPOC?

Antenor Rodrigues, Aline Gonçalves Nellessen, Fabio Issamu Ikezaki, Mariana B. Di Martino, Thais Sant`Anna, Nidia Aparecida Hernandes, Fabio Pitta

Resumo


Introdução: O treinamento físico (TF) é fundamental na reabilitação pulmonar em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Uma parcela desses pacientes apresenta dessaturação periférica de oxigênio durante o exercício, necessitando de oxigênio (O2) suplementar. Objetivo: Analisar as diferenças entre pacientes com DPOC que necessitam ou não de oxigenoterapia durante o TF de alta intensidade; e identificar quais fatores influenciam sua necessidade. Métodos: Trinta e dois pacientes com DPOC foram avaliados quanto à função pulmonar (espirometria), força muscular respiratória (manovacuometria) e capacidade de exercício (Incremental Shuttle Walking Test [ISWT] e teste de caminhada de 6 minutos [TC6min]). Posteriormente, os pacientes foram incluídos em um programa de TF de alta intensidade (3 vezes/semana, 12 semanas), sendo separados em 2 grupos quanto à necessidade de oxigenoterapia (G_O2;n=10) ou não (G_nãoO2; n=22). Resultados: O G_O2 apresentou pior obstrução das vias aéreas (VEF1 26[21-28] vs 52[36-65] %predito; P<0,0001), menor pressão expiratória máxima (PEmax 79[53-91] vs 104[90-115] %predito, P=0,004) e menor capacidade de exercício (ISWT 295±62 vs 444±198m, P=0,03; TC6min 420[372-446] vs 480[433-516]m, P=0,01; e TC6min em %pred 68[58-72] vs 80[67-86], P=0,01). No modelo de regressão incluindo PEmax em valores absolutos (P=0,02) e TC6min em %predito (P=0,03) apenas a distância percorrida no TC6min (%predito) determinou o uso de O2 durante o TF (Razão de prevalência [RP]=8,1; P=0,03). Conclusões: Pacientes com DPOC que necessitam de O2 durante um programa de treinamento físico de alta intensidade apresentam pior função pulmonar, força muscular expiratória e capacidade de exercício que pacientes que não necessitam de O2 durante o programa. A razão de prevalência de pacientes com pior desempenho no TC6min utilizarem O2 durante o treinamento físico é 8,1 vezes maior do que nos pacientes que apresentam melhor desempenho no teste.


Palavras-chave


Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica; Treinamento Físico; Oxigenoterapia

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