Democracia Na Periferia: receitas de revitalização democrática à luz da realidade brasileira

Luís Felipe Miguel

Resumo


A expansão da democracia eleitoral, que, ao menos no Ocidente, se converteu virtualmente no único regime político capaz de angariar legitimidade, não significou a resolução de seus problemas. Embora a idéia de "governo do povo" receba adesão quase universal, as instituições representativas são alvo de descrédito crescente, que se manifesta em alto absenteísmo eleitoral, desgaste dos partidos políticos e sentimento de impotência do cidadão comum. Os países que se situam à margem dos centros do capitalismo mundial, como o Brasil, enfrentam problemas adicionais. Temos uma democracia jovem, carente de "consolidação", que sofre o duro teste da eficácia de suas políticas econômicas e sociais, num quadro internacional em que o espaço de ação dos Estados nacionais, em especial na periferia, parece ter-se reduzido. Este trabalho busca reler parte das propostas recentes para a revitalização da prática democrática (deliberacionistas, comunitaristas e outras), observando os obstáculos que condições políticas, econômicas e sociais de países como o Brasil colocam à efetivação de alternativas pensadas a partir da realidade do mundo desenvolvido.


Palavras-chave


Teoria democracia; Democracia participativa; Orçamento participativo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2176-6665.2003v8n1p9

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