Do problema do essencialismo a outra maneira de se fazer política: retomando o potencial transformador das políticas de diferença

Léa Tosold

Resumo


Este artigo visa retomar e fazer uma avaliação crítica do debate sobre as políticas de diferença travado entre teóricas políticas feministas de tradição liberal. Após explicitar as estratégias apontadas nesse debate para tentar legitimar a politização de sujeitos coletivos em face do problema do essencialismo, argumenta-se que o excessivo foco na relação entre essencialismo e conceitualização de grupos sociais ofuscou o vínculo do projeto de politização de diferenças com o questionamento do próprio fazer político. Assim, sob a perspectiva de que a politização de diferenças está transformando – e não inviabilizando – o funcionamento da comunidade política e a possibilidade de efetiva justiça social, avalia-se como os projetos políticos de Anne Phillips e Iris Marion Young evidenciam novos caminhos para reconfigurar a esfera política de uma maneira transformadora das desigualdades estruturais.

Palavras-chave


Políticas de diferença; Essencialismo; Desigualdades de gênero; Iris Marion Young; Anne Phillips

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2176-6665.2010v15n2p166

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