Dilemas e hesitações da modernidade tardia e a emergência da sociedade de controle

Luís Antônio Francisco de Souza

Resumo


Pretende-se destacar os pontos fundamentais da discussão teórica sobre modernidade tardia. Autores como Giddens, Beck, Bauman, Sennett e Garland têm se debruçado nas últimas duas décadas sobre a caracterização social, histórica e teórica da modernidade nas sociedades ocidentais avançadas. Esta discussão, embora indispensável, não permite compreender os problemas desta nova etapa do capitalismo ocidental em termos de sua dimensão técnica e de controle social. O artigo argumenta favoravelmente à incorporação da analítica do poder de Michel Foucault e aponta sua atualidade e potencialidades. Este autor renovou as possibilidades teóricas das ciências humanas ao criticar uma visão naturalizada da história e dos acontecimentos históricos. A influência de sua obra, uma analítica da modernidade, pode ser observada no debate em torno da crise da modernidade e da emergência da sociedade de controle. Ao mesmo tempo, seu trabalho ajuda a compreender os principais dilemas e hesitações das sociedades contemporâneas.


Palavras-chave


Modernidade tardia; Pós-modernidade; Teoria social; Biopolítica; Sociedade de controle.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2176-6665.2010v15n2p78

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