Religião e metáfora social: a Semana Santa como memória e encenação da hierarquia em Mariana- MG

Paulo Gracino Júnior

Resumo


Neste trabalho, recupero a perspectiva de análise durkheimiana, que vê o fenômeno religioso tanto como uma projeção das relações sociais quanto uma fonte normativa para a sociedade. Mais especificamente, pretendo descrever, através da etnografia da Sexta-Feira Santa, a forma como a hierarquia e as disputas por poder vividas pela cidade mineira de Mariana são projetadas em sua vida religiosa. Para esse intento, baseei-me em um leque amplo de pesquisa, que contou com trabalho de campo, documental e entrevistas, através dos quais observei de que forma, a partir de um intenso processo de urbanização ocorrido dentre as décadas de 1970-1980, a cidade viu seu cenário marcado por uma contundente polarização sócio-espacial, envolvendo a população já estabelecida e o contingente recém-chegado. Em meu entendimento, essa polarização incidiu de forma crucial na vida religiosa da cidade, sendo a religião não só uma projeção desse contexto, mas lugar privilegiado onde se encenam e re-atualizam as disputas de poder e dilemas dessa sociedade.

 

 


Palavras-chave


Cidade; Fenômeno religioso; Hierarquia social.

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Mediações - Revista de Ciências Sociais

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