Plantações de queixadas, peixes-mandioca e corujinhas boiadeiras: as relações entre humanos, animais e maestria na Terra Indígena do Rio Guaporé (Rondônia)

Gabriel Sanchez

Resumo


A Terra Indígena do Rio Guaporé, localizada no sudoeste amazônico no estado de Rondônia, constitui um espaço multiétnico e linguístico onde vivem dez povos indígenas. Dentro deste contexto regional, parto da perspectiva dos Kujubim, grupo pertencente à família linguística Txapakura, para pensar e revelar algumas relações existentes entre humanos, animais, espíritos-donos e aldeias subaquáticas. De antemão, é possível afirmar que tais relações não podem ser pensadas fora do contexto onde elas são concebidas, isto é, dos espaços onde elas são constituídas, como a aldeia, o rio, a floresta e os sonhos. Mediante diversas negociações destes espaços e das perspectivas dos seres - humanos e não humanos - que os habitam, os lugares, os seres e as coisas acabam sendo classificados de acordo com estatutos diferentes, a depender dos tipos de relações práticas que são estabelecidas por cada um entre eles. É nesse sentido e contexto, portanto, que procedo das seguintes questões: como podem os queixadas serem, ao mesmo tempo, bichos para os humanos e “plantação” para seus donos? Como podem peixes, que são bichos para humanos, serem produtos da roça para o povo de uma aldeia subaquática? Assim o é igualmente para as corujinhas-da-noite que são bichos, mas donas e comadres da anta.

Palavras-chave


Etnologia Indígena; Rondônia; Relações humano-animais; classificação; natureza e cultura.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2176-6665.2019v24n3p28

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