Mulheres paulistanas no Prouni: mediações entre a universidade e a precariedade

Henrique Costa

Resumo


O presente artigo pretende discutir o lugar de precariedade de mulheres paulistanas contempladas pelo Programa Universidade para Todos (Prouni) no ensino superior privado, comparando dois perfis caracterizados por área ocupacional, idade e localização do campus universitário de uma grande instituição de ensino privado de São Paulo. Criado no ano de 2005 pelo governo Lula, o Prouni se firmou como uma política pública cujo propósito de formar mão de obra qualificada abriu espaço para que 1,4 milhão de pessoas de classes baixas chegassem ao ensino superior privado até 2014. Com base em entrevistas inéditas e no trabalho de campo desenvolvido entre os anos de 2012 e 2014, trabalhamos metodologicamente como um estudo de caso ampliado, com o objetivo de mapear as trajetórias de vida e as visões de mundo cultivadas por essas mulheres diante de temas centrais em seus lugares de classe: o trabalho, a educação, a mobilidade e, evidentemente, as relações sociais de sexo. Em cada grupo, a precariedade se apresenta em suas especificidades, em que a flexibilização ressignifica a própria heterogeneidade do mercado de trabalho brasileiro.

Palavras-chave


Prouni; Lulismo; Relações de gênero; Classes sociais; Precariedade.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2176-6665.2019v24n3p213

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