O “bem básico” como princípio substantivo da ação desconfiada: a economia de tensão em viagens de ônibus na cidade do Rio de Janeiro

Vittorio Talone

Resumo


Neste artigo é analisado como as práticas de desconfiança mobilizadas no Rio de Janeiro por usuários pagantes e funcionários de ônibus urbanos, frente aos diferentes “perigos” projetados por eles sobre a cidade, possuem como princípio substantivo a expectativa de dano quanto à integridade física e patrimonial, elementos componentes do proposto como “bem básico”. Explorando esta forma de bem, é trabalhado como a desconfiança ainda permite uma economia quanto ao gasto de energia que seria mobilizado com a tensão pela concretização dos “perigos” então evitados ou afastados. Trata-se, portanto, de compreender os elementos que permitem a efetivação de ações desconfiadas na cidade do Rio de Janeiro.

Palavras-chave


Violência Urbana; Pragmatismo; Desconfiança

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2176-6665.2017v22n1p367

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