Jovens, percursos e atividades arriscadas nas corridas ilegais de carros: o risco como componente identitário

Leila Sollberger Jeolás, Luiz Antonio de Castro Santos

Resumo


Pretende-se trazer algumas reflexões sobre as práticas das corridas ilegais de carros e motos (“rachas”) entre jovens de segmentos populares. O conhecimento transmitido ? “saber-fazer” ? nesse universo abre a esses jovens a possibilidade (precária) de uma atividade ou de um ofício que os potencializa, como indivíduos, grupo ou coletivo, para enfrentar, sobretudo, o desprestígio e a invisibilidade sociais, mas também a instabilidade profissional. No mundo dos motores e da velocidade, dentro dos limites fluidos entre lazer e trabalho, a experiência sensorial intensa potencializa contra as pressões e incertezas do cotidiano. Nas inter-relações de classe, de geração e de gênero, o risco torna-se, em tais práticas, um componente de construção identitária e de reconhecimento, além de poder ser uma forma de ganhar a vida.

Palavras-chave


Juventudes; Risco; Percursos; “Rachas”.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2176-6665.2015v20n2p262

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