Democracia e governos autônomos - uma reflexão a partir da experiência do Exército Zapatista de Libertação Nacional

Alex Hilsenbeck

Resumo


É notório o peso das lutas dos movimentos indígenas na América Latina, transformando-os em sujeitos políticos de natureza coletiva com reivindicações próprias, que tem como cerne a modificação do Estado e da democracia representativa. A luta por livre-determinação das comunidades indígenas deita novas questões para o pensamento político. Através da análise das comunidades mexicanas do Exército Zapatista de Libertação Nacional percebemos as contribuições e problemáticas que o exercício de governos autônomos podem trazer para o quadro da A.L. de uma forma mais ampla, confrontando-os com o modelo de democracia ocidental, baseado em um Estado com tendências homogeneizadoras. Apenas a ratificação de convênios internacionais, não é suficiente para a concretização do respeito a plurinacionalidade do Estado, para tanto, se faz necessário que estes movimentos consigam transcender sua especificidade étnica e atuem em conjunto com outros movimentos na luta por uma democracia mais participativa.


Palavras-chave


Democracia; Exército Zapatista; América Latina.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2176-6665.2005v10n2p55

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