Espelho de uma filosofia: a presença de Hegel nas classificações de Harris e Dewey

Veronica de Sá Ferreira, Rodrigo de Sales

Resumo


Analisa as influências filosóficas que embasaram a estrutura da classificação bibliográfica de Harris, reconhecida pela literatura da área como a fonte mais imediata utilizada por Dewey para a criação de seu sistema. Ampliando a reflexão sobre as bases teóricas adotadas por Harris, questiona-se o lugar ocupado por Bacon neste sistema. O incentivo para esta discussão parte do artigo publicado em 1959 por Graziano, que indica o pensamento hegeliano como o verdadeiro suporte filosófico do esquema de Harris e, consequentemente, da classificação bibliográfica de Dewey. Utilizando a classe Artes, Graziano expõe evidências que buscam aproximar o pensamento de Hegel e afastar Bacon. Este artigo examina o pensamento sobre Arte que formou as classificações de Bacon, Hegel e Harris. Os resultados apresentados apontam a presença hegeliana não assumida explicitamente por Harris e Dewey em seus Sistemas e ainda pouco estudada no campo da representação da informação no Brasil. Conclui-se, em oposição a Graziano, não ser possível afastar totalmente o pensamento baconiano da estrutura do sistema classificatório de Harris, todavia, a presença de Hegel se confirma como a fonte alimentadora do conteúdo da classe Artes. A clareza da revelação de Graziano amplia as discussões teóricas deixadas em aberto por Harris e Dewey.


Palavras-chave


Organização do conhecimento; Classificação; Artes

Texto completo:

PDF

Referências


ANJOS, Liane dos. Sistemas de classificação do conhecimento na Filosofia e na Biblioteconomia: uma visão histórico-conceitual crítica com enfoque nos conceitos de classe, de categoria e de faceta. 2008. 291 f. Tese (Doutorado em Ciência da Informação) – Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

BACON, Francis. Novumorganum. 2002. Disponível em: http://www.ebooksbrasil. org/adobeebook/norganum.pdf . Acesso em: 11 jan. 2018.

______. O progresso do conhecimento. Tradução Raul Fiker. São Paulo: UNESP, 2007. Título original: The Proficience and Advancement of Learning Divine and Humane (1605).

BARBOSA, Alice Príncipe. Teoria e prática dos sistemas de classificação bibliográfica. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação, 1969. Obras Didáticas, 1.

BRAS, Gérard. Hegel e a arte: uma apresentação à Estética. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1990. (Textos de Erudição e Prazer).

DUARTE, Rodrigo. Do sistema das artes à ambiência pós-histórica: itinerários da estética contemporânea. Viso - Cadernos de estética aplicada: revista eletrônica de estética, v. 10, n. 19, jul./dez. 2016. Disponível em: http://www.revistaviso.com.br/pdf/Viso_19_Rodrigo Duarte.pdf. Acesso em: 12 jan. 2018.

EATON, Thelma. The development of classification in America. 1959. Disponível em: https://www.ideals.illinois.edu/bitstream/handle/2142/1474/Eaton830.pdf?sequence=2&isAllowed=y. Acesso em: 20 maio 2017.

FOSKETT, A. C. A abordagem temática da informação. São Paulo: Polígono; Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1973.

GRAZIANO, Eugene E. Hegel’s philosophy as basis for the Dewey Classification Schedule. Libri, v. 9, p. 45-52, 1959.

HARRIS, WM. T. Book classification. The Journal of Speculative Philosophy, St. Louis, v. IV, p. 114-128, 1870.

HEGEL, G. W. F. Curso de Estética: o Sistema das Artes. Tradução Álvaro Ribeiro. São Paulo: MartinsFontes, 1997. Título original: Vorlesungenüber die Ästhetik (1835).

KELLER, Phillip Wilhelm. Estrutura da obra de arte na filosofia de Hegel: análise da estrutura da arte nos cursos de Berlim com relação aos conceitos de organismo, ação e conceito. 2011. 129 p. Tese (Doutorado em Filosofia) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-17082012-104854/pt-br.php. Acesso em: 18 jan. 2018.

LA MONTAGNE, L. E. American library classification: with special reference to the Library of Congress. Handen: The Shoe String Press, 1961.

LEIDECKER, K. F. Yankee teacher: the life of William Torrey Harris. New York: The Philosophical Library, 1946.

MILLS, J. A morden outline of library classification. London: Chapman and Hall, 1960.

OLSON, Hope A. A potência do não percebido: Hegel, Dewey e seu lugar na corrente principal do pensamento classificatório. InCID: R. Ci. Inf. e Doc., Ribeirão Preto, v. 2, n. 1, p. 3-15, jan./jun. 2011. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/incid/article/view/42331. Acessoem: 20 maio 2017.

______. Sameness and difference: a cultural foundation of classification. Library Resources&Technical Services, Chicago, v. 45, n. 3, p. 115-122, jul. 2001. Disponível em: http://polaris.gseis.ucla.edu/gleazer/462_readings/olson_2001.pdf. Acesso em: 20 maio 2017.

PIEDADE, M. A. Requião. Introdução à Teoria da Classificação. 2. ed. rev. e aum. Rio de Janeiro: Interciência, 1983.

POMBO, Olga. O enciclopedismo romântico: Novalis e Hegel. Lisboa, 2002. Disponível em: http://www.educ.fc.ul.pt/hyper/enc/cap3p7/romantico.htm. Acesso em: 13 jan. 2018.

ROSSI, Paolo. Francis Bacon: da magia à ciência. Tradução Aurora Bernardini. Londrina: Eduel; Curitiba: UFPR, 2006.

SALES, Rodrigo de; PIRES, Thiago Blanch. The classification of Harris: influences of Bacon and Hegel in the universe of library classification. VI North American Symposium on Knowledge Organization (NASKO, 2017). Proceedings… Champaign, IL. Universityof Illinois, 2017. Disponível em: http://www.iskocus.org/NASKO2017papers/NASKO2017_ paper_5.pdf. Acesso em: 16 ago. 2017.

SANTORO, Fernando. Sobre a estética de Aristóteles. Viso: Cadernos de estética aplicada, v. 1, n. 2, p. 1-13, maio/ago. 2007. Disponível em: http://revistaviso.com.br/visArtigo.asp? sArti=12. Acesso em: 31 maio 2018.

SAYERS, W. C. B. An introduction to library classification. 9. ed. Londres: Grafton, 1955.

SHIRAYAMA, Cristiane de Melo. Francis Bacon e O Progresso do Conhecimento no Início do Século XVII. 2016. 89 p. Dissertação (Mestrado em Filosofia) – Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2016. Disponível em: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100135/tde-10102016-182510/en.php. Acesso em: 18 jan. 2018.

SIQUEIRA, Jéssica Câmara. O conceito classificação: uma abordagem histórica e epistemológica. Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, Nova Série. São Paulo, v. 6, n. 1, p. 37-49, jan./jul. 2010.

VICKERY, Brian C. Classificação e indexação nas ciências. Rio de Janeiro: BNG/Brasilart, 1980. Tradução de M.C.G. Pirolla.

WIEGAND, Wayne A. The “Amherst Method”: the origins of the Dewey Decimal Classification Scheme. Libraries&Culture, v. 32, n. 2, p. 175-194, spring 1998.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1981-8920.2019v24n3p104

  

Inf. Inf.

ISSN: 1981-8920 (versão somente online)

DOI: 10.5433/1981-8920

e-mail: infoeinfo@uel.br



Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional