Estratégias de memória dos jongueiros do Tamandaré

Eduardo da Silva Alentejo

Resumo


Analisamos as memórias dos jongueiros do Tamandaré sob duas perspectivas teóricas. Primeiro através de Halbwachs que esclarece como memórias são construídas através de laços afetivos. Em outro momento, os conflitos que interferem nessas memórias podem ser explicados pelo viés da invenção da tradição em Halbsbaw. Explicamos que a criação de sentidos é usada pelas instâncias que fazem uso do jongo. A rede social dos jongueiros do Tamandaré faz uso de forma estratégica empreendendo resistência ao saber oficial visando a preservação do jongo. Desse modo, recorremos a Gramsci, Brandão e Benjamim que explicam a dinâmica da cultura subalterna. Assim, apontamos como a institucionalização da cultura determina suas possibilidades de uso pelo viés do patrimônio imaterial. Para isso, estudamos Patrimônio em Choay e Clanclini. As nossas questões são balizadas em função dos movimentos estabelecidos nas relações de poder que chamamos aqui de relações de memórias e que se potencializam em constantes embates sociais. Recorremos a Foucault, Deleuze e Hardt para nos explicar de que forma o poder efetiva controle sobre os grupos sociais envolvidos em suas relações sociais. A metodologia aplicada envolveu dois momentos: pesquisa bibliográfica e levantamento documental e, pesquisa de campo. Analisamos a estrutura de rede social dos jongueiros por onde aplicamos nossas entrevistas com os representantes da comunidade. Esse procedimento nos permitiu acesso adequado as fontes para atender aos nossos objetivos. Entendemos que memórias são disputadas constantemente e que as resoluções a esses embates sociais advém de negociações, nem sempre conflituosas ou pacíficas, mas que, ajustam os usos aos agentes sociais inseridos nessas disputas. No caso do jongo, percebemos que os embates são resolvidos quando as criações de sentidos geram saberes, tais como: Folclore, Patrimônio Cultural Imaterial ou ainda a Tradição. Percebemos esses saberes como instrumentos de controle das memórias jongueiras. E, eles potencializam a capacidade de resistência de suas comunidades porque ampliam os sentidos do que é jongo percebido de modos diferentes pelos agentes sociais em disputa. Na comunidade, por exemplo, prevalece um sentimento de posse do jongo e que é estimulado através de laços afetivos dentro da rede social que compõe a comunidade. As estratégias de preservação são articuladas dentro da estrutura dessa rede. Concluímos que a institucionalização da cultura é um fato social que aumenta a possibilidade de uso, seja por compartilhar a manifestação cultural quanto a possibilidade de expropriá-la. No caso do jongo, o tombamento cultura nacional pode ser usado a favor de sua comunidade. Portanto, as memórias são criações constantes de sentidos. Elas nascem das disputas sociais através de negociações das quais geram saberes sobre determinadas manifestações ampliando sua possibilidade de uso por todos os setores da sociedade. Criação de memórias implica no estabelecimento de usos e conflitos constantes.

Palavras-chave


Jongueiros

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1981-8920.2007v12n1espp165



  

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ISSN: 1981-8920 (versão somente online)

DOI: 10.5433/1981-8920

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