O processo de organização da instrução pública patense no contexto republicano de 1892-1928

Andréa Fabiane Machado Diniz

Resumo


O presente artigo resulta da conclusão de uma pesquisa empreendida no Programa de Mestrado em Educação da Universidade de Uberaba – UNIUBE. Representa um estudo teórico e documental com o objetivo de compreender o processo de organização da Instrução Pública em Patos de Minas/MG no contexto republicano de 1889 a 1928. O marco temporal estabelecido se deve ao fato de o ano de 1889 marcar a transição entre formas de governo e, consequentemente, marcar uma nova visão para a educação, sobretudo, para a Instrução Pública Primária. A esse fato sobrepõe a justificativa de implantar reformas educacionais para organizar a instrução pública e ampliar as oportunidades educacionais para a população, fortalecendo, assim, os caminhos da modernização e do progresso na sociedade em configuração. O ano de 1928 representa o marco final, com a publicação dos últimos decretos que deram origem à implantação da Reforma Francisco Campos em Minas Gerais. Para a execução dessa pesquisa, foi realizado o estudo historiográfico, ancorado pela Escola de Annales, a revisão da literatura especializada e a pesquisa documental cuja base de dados é composta por um manancial de fontes como: jornais, legislações educacionais, termos de visita dos inspetores de ensino de época, atas da Câmara Municipal, atos do Executivo e correspondências trocadas entre diretores, inspetores e governo.  Os jornais selecionados para análise foram: O Trabalho, O Commercio e Cidade de Patos. Por meio desse estudo, pudemos concluir que a idealização e a materialização da instrução pública, ministrada nos Grupos Escolares, estabelecimentos exclusivamente criados para esse fim, era, na concepção dos republicanos, o instrumento eficiente para formar o cidadão e elevar o País à condição de nação civilizada. Dessa forma, à educação era confiada a nobre missão de formar o homem da República para a República, o homem urbanizado, civilizado e, principalmente, capaz de se adequar às novas regras de uma sociedade que buscava se alicerçar nos pilares do trabalho e da ordem pública. Transitando do contexto macro para o contexto micro, percebemos que Patos de Minas não foge a essa regra. Convencida pelas perspectivas de mudanças que poderiam ser geradas na sociedade por meio da instrução pública, a “elite” de Patos de Minas não mediu esforços para dotar o município com a instalação do Grupo Escolar em 1917, expressão máxima do progresso no campo da educação na cidade e base para outros melhoramentos vindouros.

 


Palavras-chave


Primeira República; Instrução Pública; Grupo Escolar; Patos de Minas

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2238-3018.2013v19n1p163

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