A cisão pós-moderna de crise e revolução: algumas reflexões sobre Žižek e Negri
Resumo
O presente trabalho visa dar um contributo sobre a problemática geral da retoma actual do marxismo: a partir da análise de duas posições teóricas – a de Žižek e a de Negri – que com estratégias muito diferentes procuram pôr o problema da “revolução na pós-modernidade”, tentar-se-á esclarecer quais são as consequências que se escondem na actual separação da questão da revolução da dinâmica do desenvolvimento e das crises do modo de produção capitalista. A hipótese que se tentará desenvolver é a de que dessa cisão entre objectividade e subjectividade, partilhada por Negri e Žižek, contem o perigo do “retorno” a uma teoria da revolução ao fundo pré-marxista, ou seja a reafirmação de uma relação de imanência-transcendência que afirma uma posição “teológica” da problemática da emancipação humana. Tanto a “plenitude ontológica” da subjectividade negriana como a “falta de plenitude ontológica” da subjectividade de Žižek reafirmam a exigência heideggeriana de onticização do ontológico que parece reproduzir em forma pós-moderna a exigência idealista jovem-hegeliana da realização historico-objetiva da essência racional subjectiva.