SOBRE NATÊNCIAS: MITO E COSMOLOGIA NA POÉTICA DE MANOEL DE BARROS / MYTH AND COSMOLOGY IN MANOEL DE BARROS’ POETRY

Elisa Duque Neve dos Santos

Resumo


Manoel de Barros diz ser poeta da natureza da palavra, e que a poesia serviria para <i>des-cobrir</i> as coisas de seus significados imediatos, na busca por uma linguagem que se quer inaugural. Assim, a <i>natência</i> – potência de fazer nascimentos na linguagem poética – será tanto um retorno a um espaço/tempo anterior, onde se estabelece um vínculo com o essencial como um estado inventivo da língua. Caberá aqui relacionar a natência da poesia de Barros à <i>infância</i>, <i>metamorfose</i>, <i>mito</i>, pensando na relação da poesia moderna com os processos de secularização e profanação do sagrado.

Manoel de Barros claims himself to be a poet of the nature of the word. His poetry suits to dis-cover things from its immediate meaning in the pursuit of a maiden language. Thus, <i>natência</i>- the power of poetry of giving birth to poetic language - is a return to a previous place/time in which an essential bound is established between word and things, as much as an inventive condition of the language. This study will relate natência in Manoel de Barros’ poetry to subjects concerning <i>childhood</i>, <i>metamorphosi</i>s and <i>myth</i>, as well as the secularization and profanation processes in modern poetry.


Palavras-chave


poesia moderna; natência; dessacralização. / modern poetry; natência; desacration.

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