Decifrar os sinais: deslocamento e espaços urbanos em No país das últimas coisas, de Paul Auster

Rafaela Scardino

Resumo


Na cidade de No país das últimas coisas, romance de Paul Auster, o confronto com estranhos deve ser evitado, ainda que os personagens sejam impelidos à proximidade. Não distante desse processo, a consolidação do difícil vínculo de pertencimento — que configura uma busca incessante — jamais pode ser alcançada, pois, nessa cidade fragmentada, sempre se é estrangeiro. Em diálogo com reflexões sobre os deslocamentos nas cidades contemporâneas, analisa-se, no texto de Auster, a encenação literária tanto da perda dos espaços públicos (territórios de produção subjetiva) quanto da conseqüente rarefação dos contatos com o outro (fundamentais para a constituição efetiva do eu).

 


Palavras-chave


Paul Auster; Espaços Urbanos; Ficção Contemporânea.

Texto completo:

PDF

Referências


AUSTER, Paul. No país das últimas coisas. Tradução: Luiz Araújo. São Paulo: Best Seller, s/d1.

________. Palácio da Lua. Tradução: Marcelo Dias Almada. São Paulo: Best Seller, s/d2.

AUGÉ, Marc. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. Tradução: Maria Lúcia Pereira. Campinas: Papirus, 1994.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

BRANDÃO, Luis Alberto. Mapa volátil. O imaginário espacial: Paul Auster. In: ________. Grafias da identidade: literatura contemporânea a imaginário nacional. Rio de Janeiro/Belo Horizonte: Lamparina/Fale (UFMG), 2005, p. 35-65.

HUSTVEDT, Siri. O que eu amava. Tradução: Sonia Moreira. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

MUMFORD, Lewis. A cidade na história: suas origens, transformações e perspectivas. 4 ed. Tradução: Neil R. da Silva. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

NYSTRÖM, Helmi. Three sides of a wall. Obstacles and Border States in Paul Auster's Novels. Pro gradu, October 1999. University of Helsinki, Comparative Literature, Institute for Art Research, Faculty of Arts. Disponível em:, acesso em 31 maio 2006.

SENNETT, Richard. O declínio do homem público: as tiranias da intimidade. Tradução: Lygia Araújo Watanabe. São Paulo: Companhia das Letras, 1988.

SIMMEL, Georg. A metrópole e a vida mental. In: VELHO, Otávio Guilherme (org). O fenômeno urbano. 4 ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1979, p. 11-25.

SIMMEL, Georg. O estrangeiro. In: MORAES FILHO, Evaristo de (org). Georg Simmel: sociologia. São Paulo: Ática, 1983, p. 182-188.

WOODS, Tim. ’Looking for sings in the air’: urban space and the postmodern in In the country of last things. In: BARONE, Dennis (ed). Beyond the red notebook. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1995, p. 114.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Estação Literária
Londrina/ PR
ISSN: 1983-1048
E-mail: estacaoliteraria@uel.br