SUBVERSÃO E NORMATIVIDADE EM “CRÔNICA DE UM VAGABUNDO”, DE SAMUEL RAWET

Gabriel Estides Delgado

Resumo


No conto “Crônica de um vagabundo”, Samuel Rawet não apenas confere protagonismo a uma personagem errante, como busca certo contato pulsional com a escrita. A análise deste artigo concentra-se na elucidação dos mecanismos que forjam a estrutura errática da obra. No entanto, ainda que se reconheça o êxito expressivo de uma linguagem mais orgânica, livre para assumir-se como artifício arbitrário, são considerados também os limites de tal abordagem. Esta, ao mesmo tempo que descose a camisa de força dos nexos narrativos tradicionais, não consegue prescindir da própria retórica de negação.


Abstract: In the short story “Crônica de um vagabundo”, Samuel Rawet not only sheds the spotlight on a wandering character but also seeks some pulsional contact with the writing. The analysis provided by this article focuses on elucidating the mechanisms that forge the work’s unsteady structure. Nevertheless, even though I recognize the fruition of expression of a more organic language, unconstrained to assume itself as an arbitrary instrument, I also assess the limits of such approach. While on one hand it unsews the straightjacket of traditional narrative nexuses, on the other it fails to abstain from the rhetoric of denial. 


Palavras-chave


Samuel Rawet; errância; negação; subversão. Samuel Rawet; wandering; denial; subversion.

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