O ESTATUTO DE REGRA FUNDAMENTAL DA ASSOCIAÇÃO LIVRE: SOBRE AS BASES TEÓRICAS DA TÉCNICA DA PSICANÁLISE

Maria Rosa Ferrucci Monção, Helio Honda

Resumo


Em 1912, Freud afirmou que na psicanálise pesquisa e tratamento coincidem. Em 1923, definiu-a de tal modo que evidenciou que pesquisa, tratamento e teoria, nesta ciência, estariam integrados, sendo que o deslocamento de um desses aspectos possivelmente a descaracterizaria. Todavia, é possível notar a existência de leituras psicanalíticas extremas, que enfatizam apenas um deles, dando destaque ora para a teoria, ora para a técnica, como mostram alguns autores. Com vistas a contribuir para as discussões sobre formação e prática psicanalíticas e com o resgate da visão integradora de Freud, busca-se evidenciar as bases teóricas que fundamentam a técnica da associação livre, regra fundamental da psicanálise, a fim de esclarecer as justificativas que lhe conferem tal estatuto. Para tanto, são explicitadas duas importantes teses e descrições metapsicológicas de Freud presentes em A Interpretação dos Sonhos (1900), dentre as quais destaca-se a noção de representações-meta.


Palavras-chave


associação livre; psicanálise; metapsicologia; Freud

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2019v10n2p41

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