Categorização, cognição e o estilo de vida g0y

Nuno Sá-Teixeira

Resumo


A categorização é fundamental para o nosso pensamento, nossa percepção, ação e posicionamento no mundo. Todas as vezes que percebemos algo como um tipo de coisa, ou como parte de alguma coisa, estamos a categorizar e a recorrer ao uso de processos cognitivos. Nessa perspectiva, as novas categorias homoeróticas na contemporaneidade surgem de que axiomas? O que é gay, o que é g0y (g-zero-y) e o que não é? Bem como, qual é a fronteira desses conceitos com o comportamento masculino heteroflexível? São questões instigantes sob o enfoque da cognição, da categorização; e, com base em verificação ontológica, este artigo enfatiza o papel de validação exercido pela “confirmação” e “desconfirmação" das crenças acerca de categorias mais fluidas de comportamentos sexuais masculinos que podem estar externalizados. Nesse âmbito, registra-se que não se encontra na proposição g-zero-y erros sejam no sentido da redundância, de inconsistência interna, de partição ou de circularidade conceptual.


Palavras-chave


categorização; ontologia; papéis sexuais; sexualidade masculina

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2019v10n1p131

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