Considerações sobre a imitação entre jovens e crianças cegas

Maria Rita Campello Rodrigues, Marcia Oliveira Moraes

Resumo


O artigo investiga a imitação entre jovens e crianças cegas. A pesquisa foi realizada como um mosaico no tempo já que as considerações de campo foram extraídas de dois domínios: da experiência profissional com a estimulação precoce de bebês cegos e de dispositivo de intervenção com jovens cegos e com baixa visão, com idades entre 13 e 18 anos. Afirmando o caráter situado do conhecimento, a pesquisa indica que a imitação entre jovens cegos pode ser uma das vias de criação de um mundo comum entre cegos e videntes. A imitação entre jovens cegos é um processo que envolve múltiplas sensorialidades, exige experimentação do corpo e redunda numa transformação recíproca, tanto do cego quanto do vidente. O trabalho conclui com a indicação do caráter singular da imitação e, ao mesmo tempo, com a afirmação da sua pertinência ao processo de inclusão e desenvolvimento tanto da criança quanto do jovem cegos.


Palavras-chave


educação especial; imitação; cegueira; corpo

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2236-6407.2016v7n1p20

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