A distribuição de renda no Brasil e o setor agrícola

Rodolfo Hoffmann

Resumo


O artigo discute a distribuição da renda domiciliar per capita brasileira de forma a avaliar o grau de progressividade ou regressividade das parcelas das parcelas de renda selecionadas. O objetivo do trabalho é esclarecer como os rendimentos da atividade de pessoas ocupadas no setor agrícola contribuem para reforçar ou não a desigualdade da distribuição da renda domiciliar per capita (RDPC) no Brasil. Utilizando os microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2017, mostra-se que a classificação das pessoas ocupadas conforme sua atividade principal em agrícola ou não agrícola não pode ser confundida com sua classificação como rural ou urbana. Nada menos que 62,4% das pessoas ocupadas residentes na área rural do estado de São Paulo têm ocupação principal não agrícola. A decomposição do índice de Gini da distribuição da renda domiciliar per capita conforme parcelas dessa renda permite avaliar o grau de progressividade ou regressividade das parcelas. O rendimento proveniente do Bolsa-Família é o mais progressivo (bem focalizado nos pobres). Quando se separa o rendimento do trabalho conforme setor de ocupação, verifica-se que a parcela associada ao setor agrícola é a mais progressiva e que a associada ao setor público é fortemente regressiva.


Palavras-chave


Desigualdade; Distribuição da Renda; Índice de Gini; Razões de concentração;

Texto completo:

PDF

Referências


HOFFMANN, R. Distribuição de renda: medidas de desigualdade e pobreza. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1998.

HOFFMANN, R. Decomposition of Mehran and Piesch inequality measures by factor components and their application to the distribution of per capita household income in Brazil. Brazilian Review of Econometrics, 24(1): 149-171, maio 2004.

HOFFMANN, R. Distribuição da renda agrícola e sua contribuição para a desigualdade de renda no Brasil. Revista de Política Agrícola, 20(2):5-22, abr./maio/jun. 2011.

HOFFMANN, R. How to measure the progressivity of an income component. Applied Economics Letters, 20(4): 328-331, 2013.

HOFFMANN, R. Distribuição da renda no Brasil em 2016: parcelas progressivas e parcelas regressivas. Texto para Discussão n. 43 do IEPE/ Casa das Garças, 2018.

IBGE Síntese de indicadores sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira, 2018. Rio de Janeiro: IBGE, 2018, 151 p.

JESUS, J.G.; HOFFMANN, R. Desigualdade de renda no Brasil: a contribuição de parcelas do rendimento domiciliar per capita, destacando o setor agrícola. Revista de Economia Aplicada 62(1):25-40, jan.-jun. 2015.

KAKWANI, N. Applications of Lorenz curves in economic analysis. Econometrica, 45(3): 719-728, abril 1977.

NICHOLSON, B. A previdência injusta: como o fim dos privilégios pode mudar o Brasil. São Paulo, Geração Editorial, 2007.

PYATT, G.; CHEN, C.N.; FEI, J. (1980) The distribution of income by factor components. The Quarterly Journal of Economics, 95(3): 451-473, nov. 1980.

RAO, V.M. Two decompositions of concentration ratio. Journal of the Royal Statistical Society, series A (general), 132(3): 418-425, 1969.

YITZHAKI, S.; SCHECHTMAN, E. The Gini methodology: a primer on a statistical methodology. Springer & Business Media, 2012




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2317-627X.2020v8n1p5

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Economia e Região
E-ISSN: 2317-627X
DOI: 10.5433/2317-627X

Contato: 55-43-3371-4255
E-mail: rer@uel.br