Pressão antrópica nos municípios paranaenses: uma análise exploratória de dados espaciais

Patrícia Pompermayer, Irene Domenes Zapparoli, Umberto Antonio Sesso Filho, Paulo Rogério Alves Brene, Cleverson Neves

Resumo


O estudo identificou quatro fatores de pressão antrópica com periodicidade anual que podem ser analisados para os municípios do estado do Paraná, a densidade demográfica (habitantes por quilômetro quadrado), consumo total de energia elétrica em megawatts por habitante/ano, veículos por habitante e consumo total de água em metros cúbicos por habitante/ano. O fator mais importante é a densidade demográfica e a disponibilidade dos dados mais recentes foi para o ano de 2016. A lista de cinquenta municípios com maiores valores de pressão antrópica possui as cidades mais populosas do estado como Curitiba, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e São José dos Pinhais. A análise exploratória de dados espaciais mostrou que Região Metropolitana de Curitiba possui um cluster alto-alto de densidade demográfica composto por treze municípios. O Norte Central possui cluster de alto-alto de consumo de água anual per capita. Existe um cluster alto-alto para o fator de pressão antrópica consumo de energia elétrica total anual per capita, o primeiro em municípios das mesorregiões Centro Oriental e Região Metropolitana de Curitiba e o segundo ocupando a região central do estado e partes de diversas mesorregiões. O número de veículos automotores per capita apresentou cluster alto-alto nas mesorregiões Oeste e Sudoeste. Pode-se concluir que os clusters alto-alto precisam de regulação considerando que há falhas de mercado nos serviços ecossistêmicos que são dependentes de energia e matéria (metabolismo). A oferta de água, energia elétrica, carros podem ser controlada pela lei da oferta e procura na dependência de que a pressão antrópica, sobre os recursos naturais, está mais condicionada aos padrões e os níveis de consumo do que a densidade populacional.


Palavras-chave


Pressão antrópica; Paraná; Análise exploratória de dados espaciais.

Texto completo:

PDF

Referências


ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 12218. Projeto de Rede de distribuição de água para abastecimento público. Rio de Janeiro: ABNT. Jul. 1994.

ALMEIDA, E. Econometria espacial aplicada. Alínea: Campinas, 2012.

ALMEIDA, E.S.; PEROBELLI, F.S.; FERREIRA, P.G.C. Existe convergência espacial da produtividade agrícola no Brasil? RER, Rio de Janeiro, v. 46, n. 1, p. 31-52, jan/mar 2008.

ALVES, J. S.; SILVEIRA NETO, R. M. Impacto das externalidades de aglomeração no crescimento do emprego: o caso do cluster de confecções em Pernambuco. In: V Encontro Nacional ABER, Recife, 24 a 26 de outubro de 2007.

ANSELIN, L. Local indicators of spatial association – LISA. Geographical analysis, v. 27, n. 2, p. 93-115, 1995.

ANSELIN, L. Spacial Econometrics: methods and models. Kluwer Academic: Boston. 1988.

BRAGA, T.; FREITAS, A. P. G.; DUARTE, G. S.; CAREPA-SOUSA, J. Índices de sustentabilidade municipal: o desafio de mensurar. Nova Economia (UFMG), Belo Horizonte, v. 14, n.3, p. 11-34, 2004.

BRASIL. Decreto nº 7.891, de 23 de janeiro de 2013. Regulamenta a Lei nº 12.783, de 11 de janeiro de 2013, que dispõe sobre as concessões de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, sobre a redução dos encargos setoriais e sobre a modicidade tarifária, e a Medida Provisória nº 605, de 23 de janeiro de 2013, que altera a Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Poder Executivo, Brasília, DF, 24 jan. 2013. Seção 1, p. 1.

BRASIL. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 647, DE 28 DE MAIO DE 2014. Dispõe sobre a adição obrigatória de biodiesel ao óleo diesel comercializado ao consumidor final, e dá outras providências. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Poder Executivo, Brasília, DF, 29 maio. 2014. Seção 1, p. 1.

BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Empresa de Pesquisa Energética. Plano Decenal de Expansão de Energia 2021. Rio de Janeiro: EPE, 2012. 2v.

CAVASSIN, Sirlei Aparecida. Uso de Metodologias Multicritério na Avaliação de Municípios do Paraná com Base no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal. 2004. 132f. Dissertação (Mestrado em em Ciências) - Curso de Pós-Graduação em Métodos Numéricos em Engenharia e Programação Matemática, Universidade Federal do Paraná.

FLORIS, Mario; BOZZANO, Francesca; STRAPPAVECCIA, C; Baiocchi, Valerio; PRESTININZI, A. Qualitative and quantitative evaluation of the influence of anthropic pressure on subsidence in a sedimentary basin near Rome. Environmental earth sciences, v. 72, n. 11, p. 4223-4236, 2014.

GUIMARÃES, José Ribeiro Soares; JANNUZZI, Paulo de Martino. IDH, indicadores sintéticos e suas aplicações em políticas públicas: uma análise crítica. Revista Brasileira de Estudos Urbanos e Regionais, [S.l.], v. 7, n. 1, p. 73, maio 2005. ISSN 2317-1529. Disponível em: . Acesso em: 27 fev. 2018. doi:http://dx.doi.org/10.22296/2317-1529.2005v7n1p73.

INSTITUTO DAS ÁGUAS DO PARANÁ. Sistema de Informações Geográficas para Gestão de Recursos Hídricos. Curitiba: SEMA, 2018.

IPARDES. Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social. Base de dados do estado – BDEweb. Disponível em: . Acesso em: 13 jan. 2019a.

IPARDES. Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social. Base Cartográfica. Disponível em: . Acesso em: 13 jan. 2019b.

JANUZZI, Paulo de Martino. Políticas Públicas Municipais e Indicadores Sociais. RAP, Rio de Janeiro 36(1):51-72, Jan./Fev. 2002.

LLANILLO, R.F.; PELLINI, T. e DORETTO, M. Territórios rurais no Paraná. In: Congresso da SOBER. Anais... Cuiabá: UFMT, 2004.

MAY, P.; LUSTOSA, M.C.; VINHA, V. Economia do Meio Ambiente. Rio de Janeiro: Campus, 2012.

MELLO, Leonardo Freire de; SATHLER, Douglas. A demografia ambiental e a emergência dos estudos sobre população e consumo. Revista Brasileira de Estudos de Populacão, Rio de Janeiro, v. 32, n.2, p. 357-380, maio/ago. 2015.

MELLO-THÉRY, Neli Aparecida de; LANDY, Frédéric; ZÉRAH, Marie-Héléne. Políticas ambientais comparadas entre países do sul: pressão antrópica em Áreas de Proteção Ambiental Urbanas. Mercator-Revista de Geografia da UFC, v. 9, n. 20, 2010.

OZON, Rodrigo Hermont. Índice de desenvolvimento municipal: simulando a dinâmica dos negócios com análise fatorial. 2011. 85p.Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal do Paraná, Pós-Graduação em Desenvolvimento Econômico, Ciências Sociais Aplicadas, Curitiba.

PARRÉ, José Luiz; MELO, Carmem Ozana de. Índice de desenvolvimento rural dos municípios paranaenses: determinantes e hierarquização. Revista de Economia e Sociologia Rural, v. 45, p. 329-365, 2007.

RE, V; CISSÉ, Faye S, FAYE; A, FAYE, S; GAYE, CB; SACCHI, E; ZUPPI, GM. Water quality decline in coastal aquifers under anthropic pressure: the case of a suburban area of Dakar (Senegal). Environmental monitoring and assessment, v. 172, n. 1-4, p. 605-622, 2011.

REZENDE, L.P. e PARRÉ, J.L. A regionalização da agricultura paranaense na década de 1990: um estudo utilizando estatística multivariada. Congresso da SOBER. Anais... SOBER. Cuiabá, 2004.

REZENDE, L.P. e PARRÉ, J.L. Comparação do grau de desenvolvimento agrícola dos municípios paranaenses. Congresso da SOBER. Anais... SOBER. Juiz de Fora, 2003.

RIBEIRO, A. Modelos de Regressão Territorial. In: COSTA, J.S.; DENTINHO, T.P.; NIJKAMP, P. (coord.). Compêndio de Economia Regional: métodos e técnicas de análise regional. Vol II. Principia, 2011.

SABATER, L.A.; TUR, A.A.; AZORÍN, J.M.N. Análise Exploratória dos Dados Espaciais (AEDE). In: COSTA, J.S.; DENTINHO, T.P.; NIJKAMP, P. Compêndio de Economia Regional: métodos e técnicas de análise regional. Vol. 2. Principia, p. 237-298, 2011.

SANEPAR. Companhia de Saneamento do Paraná. Manual do sistema de gestão ambiental. Curitiba, Documento Interno: Sistema Normativo da SANEPAR, 2015.

SILVA, A.R. Avaliação de regressão espacial para análise de cenários do transporte rodoviário de cargas. 2006. 125 f. Dissertação (Mestrado em Transporte), Universidade de Brasília, Distrito Federal, 2006.

SILVEIRA NETO, V.R.P; MEDEIROS, C.N. Análise espacial da extrema pobreza no estado do Ceará. Texto para discussão, Instituto de Pesquisa Estratégica Econômica do Ceará (IPECE), Fortaleza, 2011.

THOMAS, J. M., CALLAN, S. J. Economia ambiental: fundamentos, políticas e aplicações. São Paulo: Cengage Learning, 2016.

TYSZLER, M. Econometria espacial: discutindo medidas para a matriz de ponderação espacial. 2006, 115 f. Dissertação (mestrado). Fundação Getúlio Vargas – Escola de Administração de Empresas de São Paulo.

VIEIRA, R.S. Crescimento econômico no Estado de São Paulo: uma análise espacial. São Paulo: Cultura acadêmica. 2009.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2317-627X.2020v8n1p89

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Economia e Região
E-ISSN: 2317-627X
DOI: 10.5433/2317-627X

Contato: 55-43-3371-4255
E-mail: rer@uel.br