A desindustrialização no Brasil e a doença holandesa: uma revisão da literatura

Dalton Tria Cusciano

Resumo


Este trabalho apresenta um panorama teórico-conceitual que correlaciona as variáveis desindustrialização e re-primarização da pauta exportadora com a ducht disease. A metodologia utilizada foi à revisão sistemática identificando e avaliando os estudos integrantes das bases de dados da Scientific Electronic Library Online e do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação, constantes nos sistemas até 30 de setembro de 2017, tendo-se utilizado como critério selecionador, o termo “doença holandesa” e a revisão por pares. Os dados coletados identificaram argumentos favoráveis e contrários à presença da doença holandesa na economia brasileira. Apesar disso os resultados revelam que as bases de dados utilizadas pelas correntes são distintas, o que não permite afirmar se existe ou inexiste doença holandesa no Brasil. Dentre os argumentos favoráveis à presença da doença holandesa, encontram-se linhas teóricas que vinculam a persistente apreciação da moeda nacional com a reprimarização da pauta de exportações, o que desencadearia a desindustrialização da economia. Já os argumentos contrários à existência da doença no Brasil indicam que os postos de trabalho no ramo industrial permaneceram estáveis, que a pauta de exportações não sofreu alterações significativas recentemente, que a indústria de transformação manteve um nível de participação média anual no Produto Interno Bruto e que os setores de elevada e média-elevada tecnologia tiveram significativo crescimento.

Abstract

 

This paper presents a theoretical-conceptual panorama that aims to correlate variables of deindustrialization, re-primarization of the export agenda with ducht disease. Systematic review methodology was used identifying and evaluating the databases studies integrated of Scientific Electronic Library Online and Periodicals Portal of the Coordination of Improvement of Higher Education Personnel of the Ministry of Education, included in the systems up to the date of 02 March 2016, using the term "Dutch disease" and peer review as the selection criteria. Data collected allowed the identification of favorable arguments and negative arguments about Dutch disease presence in the Brazilian economy, as reported in the literature. Nevertheless, the results reveal that the databases used by the chains are distinct, which does not allow to state categorically whether there is or is not a Dutch disease in Brazil. As for the arguments favorable to the presence of the Dutch disease, there are theoretical lines that link the persistent appreciation of the national currency with the reprimarization of the export agenda, would trigger the deindustrialization of the economy. Regarding the arguments against the existence of the disease in Brazil, literature states that industrial jobs have remained stable, and the export pattern has not undergone any significant changes recently, the manufacturing industry maintained an average annual level of participation in the industry, Gross Domestic Product and the sectors of high and medium-high technology had significant growth.

 

Keywords: Dutch Disease; Deindustrialization


Palavras-chave


Doença Holandesa; Desindustrialização; Revisão Sistemática.

Texto completo:

PDF

Referências


ARAÚJO, E.; DE ARAÚJO, E. Cristina; PUNZO, L. A 'bela' e o 'gigante' adormecidos: análise comparativa de dois casos de desindustrialização recente e suas causas--Brasil e Itália. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences (UEM), v.38 (1): 25-50, 2016.

BARBI, F.; MARCONI, N. Taxa de câmbio e composição setorial da produção: sintomas de desindustrialização da economia brasileira. Texto para discussão 255, Escola de Economia de São Paulo da FGV-EESP, setembro de 2010.

BARROS, O.; PEREIRA, R. R. Desmistificando a Tese da Desindustrialização: Reestruturação da Indústria Brasileira em uma Época de Transformações Globais. In: BARROS, O.; GIAMBIAGI, F. (Orgs.) Brasil Globalizado: o Brasil em um mundo surpreendente. Rio de Janeiro: Elsevier,2008.

BASTOS, P. A “Doença Holandesa” e a economia brasileira: o risco do populismo cambial ontem e hoje. In: Economia & Tecnologia. Curitiba, ano 05, v.19, Outubro - Dezembro de 2009.

BRAHMBHATT, M.; CANUTO, O; VOSTROKNUTOVA, E. Dealing with Dutch Disease. PREM Notes Economic Policy. The World Bank. N. 16. June, 2010.

BRESSER-PEREIRA, L. C. O Novo-Desenvolvimentismo e a Ortodoxia Convencional. São Paulo em Perspectiva, São Paulo, v. 20 (1), 2006.

BRESSER-PEREIRA, L. C. The Dutch Disease and Its Neutralization: a Ricardian Approach. Revista de Economia Política, São Paulo, v. 28 (1), 2008.

BRESSER-PEREIRA, L. C.; Marconi, N. Existe doença holandesa no Brasil?. Anais do IV Fórum de Economia de São Paulo, Fundação Getúlio Vargas: São Paulo.

BRESSER-PEREIRA, L Carlos; MARCONI, N. Doença Holandesa e Desindustrialização. Valor Econômico, 25 de novembro, 2009.

BRESSER-PEREIRA, L. C. A Doença Holandesa. In: BRESSER-PEREIRA, L. C. Globalização e Competição: Por que alguns países emergentes têm sucesso e outros não. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

BRESSER-PEREIRA, L. C.; GALA, P. Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento e Novo-Desenvolvimentismo. Revista de la Cepal, n. 100, 2010.

BRESSER-PEREIRA, L. C. A taxa de câmbio no centro da teoria do desenvolvimento. Estudos Avançados, São Paulo, 26(75): 7-28. 2012.

BRUNO, M.; ARAÚJO, E.; PIMENTEL, Débora. Regime Cambial e Mudança Estrutural na Indústria de Transformação Brasileira: Novas Evidências para o Período (1994-2008). Anais do XXXVII Encontro Nacional de Economia ANPEC, Foz do Iguaçu, Dezembro, 2009.

DE MELO, M. C. P.; DO AMARAL FILHO, J. The Political Economy of Brazil-China Trade Relations on 2000–2010. Latin American Perspectives, v.42(6):64-87, 2015.

FEIJÓ, C.; CARVALHO, P.; ALMEIDA, J. Ocorreu uma desindustrialização no Brasil?. São Paulo: IEDI, Novembro, 2005.

FURTADO, J. Muito além da especialização regressiva e da doença holandesa: oportunidades para o desenvolvimento brasileiro. Novos Estudos-CEBRAP, (81), 33-46, Julho, 2008.

GALA, P.; LIBÂNIO, G. Efeitos da apreciação cambial nos salários, lucros, consumo, investimento, poupança e produtividade: uma perspectiva de curto e longo prazo. Anais do XXXVI Encontro Nacional de Economia, ANPEC – Associação Nacional de Pós Graduação em Economia, 2008.

JANK, M. S. et al. Exportações: existe uma “doença brasileira”. Brasil globalizado: o Brasil em um mundo surpreendente. Rio de Janeiro, Elsevier, p. 331-352, 2008.

MAGALHÃES, A. S.; DOMINGUES, E. P. Blessing or curse: Impacts of the Brazilian Pre-Salt oil exploration. Economia, 15(3), 343-362, set/dez., 2014.

MEDEIROS, C. A. de.; Estrutura produtiva e crescimento econômico em economias em desenvolvimento. Econ. soc., Campinas , v. 25, n. 3, p. 569-598, Dec. 2016.

NAKAHODO, S. N.; JANK, M. S. A Falácia da “Doença Holandesa” no Brasil. Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (ICONE). Documento de Pesquisa. São Paulo. Março, 2006.

NASSIF, A. Há Evidências de Desindustrialização no Brasil?. Revista de Economia Política, São Paulo, v. 28 (1), 2008.

OREIRO, J.L; PAULA, L.F. (2010). Novo-Desenvolvimentismo e a Agenda de Reformas Macroeconômicas para o Crescimento Sustentado com Estabilidade de Preços e Equidade Social. Associação Keynesiana Brasileira, Disponível em . Data de acesso 05 de março de 2017.

OREIRO, J. L.; FEIJO, C. A. Desindustrialização: conceituação, causas, efeitos e o caso brasileiro. Revista de Economia. Política, São Paulo, v. 30 (2): 219-232, Junho, 2010.

PALMA, G. Quatro fontes de desindustrialização e um novo conceito de doença holandesa. Conferência de Industrialização, Desindustrialização e Desenvolvimento, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Agosto, 2005.

PALMA, G. Four Sources of “De-Industrialisation” and a New Concept of the “Dutch Disease”. In OCAMPO, J.A.(ed.), Beyond Reforms: Structural Dynamics and Macroeconomic Vulnerability. New York: Stanford University Press and World Bank, p.71-116, 2005.

REIS, D.; SANTANA, J.; Os efeitos da aplicação dos royalties petrolíferos sobre os investimentos públicos nos municípios Brasileiros. Revista de Administração Pública - RAP, Rio de Janeiro, v.49 (1): 91 –117, jan/fev., 2015.

RIBEIRO, F. J.; MARKWALD, R.. A balança comercial sob o regime de câmbio flutuante. In: Barros, Octavio de; Giambiagi, Fabio (Organizadores.). Brasil Globalizado: o Brasil em um mundo surpreendente. Rio de Janeiro: Elsevier.2008.

ROWTHORN, R; RAMASWANY, R.. "Growth, Trade and Deindustrialization". IMF Staff Papers, v. 46(1), 1999.

SAMPAIO, D. P.; PEREIRA, V. V.. Doença Holandesa no Brasil: Uma Sugestão de Análise Conceitual Comparada. Anais do XIV Encontro Nacional de Economia Política. São Paulo, Junho, 2009.

SILVA, J. A.. Desindustrialização e doença holandesa: o caso brasileiro. Indic. Econ. FEE, Porto Alegre, v. 41(3): 67-82, 2014.

SOARES, C.; MUTTER, A.; OREIRO, J.L.. Uma análise empírica dos determinantes da desindustrialização no caso brasileiro (1996 - 2008). Série Textos para Discussão n. 361. Departamento de Economia, Universidade de Brasília. Brasília, maio de 2011.

TEIXEIRA, F. W., MEURER, R., SANTOS, A. A. P.. O que Motiva a Realização de Intervenções Cambiais? Análise das Atuações do Banco Central do Brasil no Mercado BRL/USD. Revista Brasileira de Finanças, 11(2), 215, junho, 2013.

TORRES, R. L.; DA SILVA, H. C.. Uma crítica aos indicadores usuais de desindustrialização no Brasil. Revista de Economia Política, 35(4), 141, 2015.

TREGENNA, F. Characterizing deindustrialization: an analysis of changes in manufacturing employment and output internationally. Cambridge Journal of Economics, v. 33, 2009.

VERISSIMO. M. P.. Doença holandesa no brasil: ensaios sobre taxa de câmbio, perfil exportador, desindustrialização e crescimento econômico. Tese (Doutorado em Economia), Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2010.

VERÍSSIMO, M.P.; XAVIER, C. L.. Taxa de câmbio, exportações e crescimento: uma investigação sobre a hipótese de doença holandesa no Brasil. Revista de Economia Política, São Paulo, v.33 (1): 82-101, jan./mar. 2013.




DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2317-627X.2018v6n2p141

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Economia e Região
E-ISSN: 2317-627X
DOI: 10.5433/2317-627X

Contato: 55-43-3371-4255
E-mail: rer@uel.br