v. 7, n. 12 (2013)


Capa da revista
O mapa reproduzido na capa desta edição 12 da Domínios da Imagem representa o percurso fluvial feito pelo governador da Província do Paraguai, D. Luiz de Céspedes Xeria, quando foi tomar posse de seu cargo, em Assunção, no ano de 1628. O documento original está no Archivo General de Indias (Sevilha), mas o que apresentamos aqui é uma cópia feita a pedido do historiador Afonso Taunay, em 1917, quando ele era diretor do Museu Paulista (conhecido como Museu do Ipiranga). A imagem foi publicada em seu livro “Collectanea de mappas de cartographia paulista antiga” (1922). No confronto com a imagem original do arquivo espanhol, percebem-se algumas pequenas, mas sugestivas alterações feitas pelo copista, em especial na representação da vila de São Paulo, que foi sutilmente aumentada e colocada de “cabeça pra cima”. Em destaque, na imagem, cortando-a de cima a baixo, o “rio de ayembi” (Tietê), e horizontalmente o "Parana q es el Riodelplata" (Paraná). Os dois eixos fluviais foram percorridos pelo governador em 19 dias. No canto superior esquerdo, a “villa de san pablo enel Brasil”, ponto de partida da viagem, e no canto inferior direito, o ponto de chegada: “ciudad real deguayra”. A imagem é parte de um relato direcionado ao rei Felipe IV de Espanha. Típicoroteiro que reproduz acidentes geográficos, caminhos, afluentes e ilhas, pode, se analisado sob critérios cartográrficos contemporâneos, denotar desproporções, problemas de escala a e inverossimilhanças; mas é, no fundo, uma representação do trajeto construída a partir da observação cotidiana. É parte de uma apropriação do espaço feito por um governante. Xeria percorria, e tomava posse simbólica, via cartografia, de um caminho já secularmente conhecido pelos índios, e que, há algumas décadas, era também percorrido, nos dois sentidos, por aventureiros, mercadores e bandeirantes. José Carlos Vilardaga