Domínios da Imagem

A revista Domínios da Imagem é uma publicação dirigida pelo Laboratório de Estudos dos Domínios da Imagem (LEDI), um projeto integrado (pesquisa/extensão) do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina, tem o caráter multidisciplinar, está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em História Social e teve seu primeiro número lançado em novembro de 2007.

Indexadores:  ERIH PLUSLatindex

Qualis CAPES - 2016 - História: B3   


CHAMADA PARA DOSSIÊ - v. 13, n. 25, jul./dez. 2019

IMAGENS MIDIÁTICAS E/OU MIDIATIZADAS: TEMPORALIDADES E HISTORICIDADES

Organizadores: Áureo Busetto (UNESP/Assis) e Cássia Rita Louro Palha (Universidade Federal de São João Del Rey)

Ao longo do século XX, o mundo foi sucessivamente tocado por imagens (re)produzidas e veiculadas pela mídia, as quais avançaram em tamanho, abrangência e modos de operar. Imagens que, ao serem integradas paulatinamente à vida cotidiana, deram provas do seu potencial relativo em influir nas formas de ver e apreciar a sociedade e de nela agir por diferentes e diversos agentes sociais, individuais ou coletivos. Com as facilidades trazidas pela internet em termos de difusão, troca e acesso de dados, muitas delas possíveis desde a década de 1990 e ampliadas no correr do vigente século, o emprego de imagens em todo tipo de comunicação foi dinamizado e potencializado, a par de um considerável redimensionamento de interseções entre imagens reveladas desde tempos remotos até o presente imediato, bem como entre elementos imagéticos, textos, falas e outros sons. Conteúdos imagéticos que são elaborados, tanto oficial e particularmente quanto corporativa e colaborativamente, num fluxo ininterrupto e veloz a embaralhar elementos da originalidade, reprodução e ressignificações das imagens. Expediente que, ao contrário de passado recente, não mais se restringe aos círculos dirigentes e de produtores da chamada indústria cultural, posto aberto a todos os integrados às infovias, com destaque para as redes sociais virtuais. A onipresença e dominância da imagem midiática e/ou midiatizada na vida cotidiana atual exigem cada vez mais dos pesquisadores, com especial apelo aos da área de História, porém, consonantes a abordagens interdisciplinares, o conhecimento e a compreensão da atuação da mídia ao longo do século passado. Sem, contudo, desconsiderar, conforme historicidades exigidas por questões específicas de pesquisas, recuos temporais mais amplos e mesmo o olhar histórico sobre sociedades distintas à ocidental contemporânea. Dotar de historicidade o domínio da imagem no presente imediato requer a perscrutação, análise e reflexão sobre proximidades e distanciamentos, continuidades e rupturas, concentração e descentralização, adesões e oposições, desejos e angústias investidas ao campo de possibilidades do produzir, emitir e mesmo da recepção de imagens midiáticas e/ou midiatizadas que compõem, ao mesmo tempo, à trajetória contemporânea da comunicação social e à do mundo em geral. Nesta direção, o dossiê proposto objetiva difundir resultados de pesquisas sobre as diferentes e diversificadas imagens midiáticas e/ou midiatizadas que conseguiram figurar ou buscaram constar no repertório imagético da sociedade contemporânea em geral, mas também nos de distintos grupos e coletividades que a compõem. Repertório quer atrelado a questões sociais, políticas, culturais e econômicas, bem como a temáticas localizadas em interfaces dessas dimensões da vida, quer registrado em suportes midiáticos desde o impresso, passando pelo filme e vídeo, até o digital, ou ainda no entrelaçar das linguagens próprias de cada tipo de mídia. Sem perder de vista a caracterização e reflexão sobre temporalidades e historicidades das imagens midiáticas e/ou midiatizadas enfocadas e suas formas de produção e divulgação ou das múltiplas recepções delas. Reunião de artigos que em seu conjunto, sem dúvida, tem potencial para lançar subsídios ao conhecimento e compreensão histórica sobre a imagem em tempos de comunicação social marcada pela internet.

Contamos com a participação de todas e todos para o novo dossiê da Domínios!


                   



v. 12, n. 23 (2018)


Capa da revista

Os Estúdios Disney têm tradição em lançar produções inspiradas em contos do mundo inteiro, principalmente europeus que se consagraram na literatura. A maior parte das animações traz a representação de mulheres como ponto fulcral de suas construções fílmicas. Notamos que tais representações tiveram uma mudança substancial após os anos 1990 e teve seu auge na animação Frozen (2012), inspirada no livro de Hans Andersen, A Rainha da Neve de 1844, justificada não só pela inserção da mulher na própria produtora, ocupando cargos de diretora e produtora executiva, mas também e, principalmente pela mudança na forma da sociedade ver a mulher. Conforme Moscovici nos lembra em relação às representações sociais:
"[...] não são criadas por um indivíduo isoladamente. Uma vez criadas, contudo, elas adquirem uma vida própria, circulam, se encontram, se atraem e se repelem e dão oportunidade ao nascimento de novas representações, enquanto velhas representações morrem”. (MOSCOVICI, 2003, p. 41).
Elsa, personagem principal de Frozen, animação que ultrapassou 1 bilhão de arrecadação, traz consigo uma renovação bastante importante na representação da mulher promovida pela Disney: é a primeira protagonista a não ter um caso amoroso. A realidade da rainha Elsa é bastante próxima de inúmeras mulheres que, como ela, dedicam-se aos seus trabalhos, e, até mesmo, às suas famílias, sem necessariamente, precisar de uma figura masculina para ser feliz. A aceitação de ser quem é e assumir o posto de rainha de Arendelle mostra-nos um empoderamento que revolucionou a história da produtora e do cinema.
Apesar desse empoderamento, inusitadas para o público acostumado com o romance das animações até A Princesa e o Sapo (2009), ter sido alvo de elogiosos comentários, também foi de críticas fundadas num conservadorismo que propõe à mulher um papel de submissão que fora naturalizado pela estrutura tradicional da sociedade. Mesmo acreditando que a mudança de representação da Walt Disney seja, não só uma questão cultural que vê na luta feminista um ideal justo de equidade social, mas também uma questão econômica que geraria trazer essa discussão para dentro da roteirização e construção fílmica, Elsa é um marco para toda a possibilidade de dizer “Livre estou”!