“Cantei, como é cruel cantar assim”: questões de gênero nos festivais da canção (1965-1972)

Felipe Araújo, Nanci Stancki da Luz

Resumo


O objetivo deste artigo é analisar as relações de gênero e mídia em Festivais Musicais entre os anos de 1965 e 1972 em diversos canais televisionados. Privilegiar-se-á Festivais Internacionais da Rede Globo, embora a análise também alcance festivais de outros canais de televisão. Os Festivais revestem-se de especial importância por terem acontecido em um curto espaço temporal que, no entanto, conseguirem abarcar uma fase importante da história brasileira: o período da ditadura militar. Um fato relevante é que vivenciaram as mudanças impostas pelo Ato Institucional Nº5 (AI-5), que oficializou o regime governamental militar como um governo censor e coercitivo, ou seja, uma ditadura. Os festivais televisivos surgem como um espaço no qual as relações de poder se dão de maneira não linear com relação ao feminino e ao tradicional papel que a representação sócio-histórica impõe para as mulheres, associadas à esfera sentimental e ao espaço do lar. Isto tanto no que diz respeito à relação de poder entre artistas quanto na relação política com os militares. Por um lado, esse espaço refletem a majoritária presença masculina nos diversos setores da indústria televisiva e fonográfica, com uma quantidade esmagadora de homens na apresentação e ainda maior na composição musical. Por outro lado, demonstra as contradições sociais vigentes: ascensão do movimento feminista; exaltando a participação simbólica das mulheres, usualmente favoritas a levarem suas canções aos prêmios máximos nos festivais e, em um contexto de repressão, ressaltado o fato que elas sofriam mais com os sensores militares, sempre vigilantes dos “perigos” postos pela liberação sexual feminina aos “valores morais” da época.


Palavras-chave


Gênero; Tecnologia; Música; Televisão; Festivais da canção.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/2237-9126.2014v8n14p86

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