Domínios da Imagem

A revista Domínios da Imagem é uma publicação dirigida pelo Laboratório de Estudos dos Domínios da Imagem (LEDI), um projeto integrado (pesquisa/extensão) do Departamento de História da Universidade Estadual de Londrina, tem o caráter multidisciplinar, está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em História Social e teve seu primeiro número lançado em novembro de 2007.

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Qualis CAPES - História: A4


CHAMADA PARA DOSSIÊ - v. 14, n. 27, jul./dez. 2020

Dossiê: Cultura Material: objetos, imagens e representações

 

Cláudia Eliane Parreiras Marques Martinez (organizadora)

Universidade Estadual de Londrina

 

 

A trajetória que envolve o debate sobre cultura material é extensa, complexa e multidisciplinar. Nos domínios da História, têm como ponto de partida a vida material proposta por Fernand Braudel (1960/70), passando pelos trabalhos de Daniel Roche (1980/90) que procuraram congregar concomitantemente as contribuições da História Social e da História Cultural. Em geral, até o terceiro quartel do século XX, a cultura material era tema e objeto de pesquisa específicos da Arqueologia e da Antropologia. No Brasil, destacam-se alguns precursores – Capistrano de Abreu, Sérgio Buarque de Holanda, Alcântara Machado e Gilberto Freyre – que se reportaram aos objetos e procuram a partir deles compreender como a materialidade e suas imagens poderiam auxiliar no entendimento do passado. É preciso lembrar que tais autores não tiveram a finalidade de inquirir diretamente a cultura material e, por isso, seus estudos tornaram-se hoje fontes de pesquisa - inspiradores, pela natureza de seus trabalhos -, mas não um referencial metodológico. Com perspectivas e recortes temporais diferentes, suas análises estudaram fenômenos de caráter cultural e, em particular, levantaram questões ligadas à vida material, como é o caso de Sergio Buarque de Holanda em Caminhos e Fronteiras (1957). Quando a historiografia francesa ainda dedicava pouca atenção ao tema, Gilberto Freyre (1933 e 1936) e Alcântara Machado (1929), por exemplo, já estudavam as moradias dos senhores de engenho, os sobrados citadinos, os mucambos, a alimentação, o mobiliário, a vestimenta e a morte. Um dos pontos que distingue a historiografia atual dos estudos tradicionais é o fato de que a cultura material deixou de ser compreendida como um “rol de artefatos” e passou a ser analisada em simbiose com a sociedade que a criou, com a economia que a produziu, com o mercado que a distribuiu e com a cultura que permitiu sua existência estética, morfológica e funcional. Os artefatos passaram a ser discutidos, no tempo e no espaço, como invenções e criações de grupos sociais nos quais homens e mulheres de diferentes etnias estavam inseridos. Outro fator que abaliza os estudos contemporâneos, além da intersecção com outras áreas de conhecimento – Antropologia, Sociologia, Museologia, Arquitetura, Moda, Design e Artes Visuais – reside no fato das pesquisas investigarem os objetos para além das esferas dedicadas ao mercado, ao consumo e à economia. Uma amostra desse enfoque pode ser encontrada nas investigações de Daniel Miller, Igor Kopytoff, Arjun Appadurai, Mary Douglas, Colin Campbell que, entre outras questões, vão contra a versão pecaminosa do consumo. Para tais autores, o consumo é responsável por formar gostos e distinções, ademais, possibilita estratégias de reprodução de grupos sociais na era Moderna. Há ainda, autores que preconizam a cultura material como vetor de relações humanas e conformadora de práticas sociais, a exemplo da abordagem adotada por Ulpiano Toledo Bezerra de Meneses (1983, 1993). Diferentemente, José Newton Coelho Meneses (2015) utiliza a nomenclatura “elementos materiais” para compreender os artefatos, as técnicas e modos de fazer das sociedades. Enfim, é possível identificar na atualidade várias vertentes metodológicas e, por conseguinte, uma miríade de textos acadêmicos em perspectiva transdisciplinar. Desta forma, serão bem-vindos artigos que busquem analisar a cultura material, seja considerando o objeto em si, seja investigando a imagem (fotográfica, digital, etc.), seja pela sua representação na História e áreas afins.

 

Os artigos para o dossiê deverão ser submetidos até o dia 30/09/2020 pelo sistema da revista, que pode ser acessado pelo seguinte link:

 

http://www.uel.br/revistas/uel/index.php/dominiosdaimagem

 

Lembramos também que, além dos materiais que compõem o dossiê, são também publicados artigos gerais que estejam de acordo com a política e as diretrizes da revista, sendo recebidos em fluxo contínuo.

 

 

 

 

 


                   



v. 14, n. 26 (2020)


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