Voz e gesto na actio retórica

Manuel Francisco Ramos

Resumo


Quando no teatro grego surgiu a figura do ator, e a actio/pronuntiatio (representação) foi separada da composição teatral, os retores verificaram que o seu domínio trazia grande valor à prolação dos discursos. Daí nasceu a ideia de teorizar acerca da actio e de aprender a modulação da voz e a adequação dos gestos com os atores. Isócrates, Aristóteles, a Rhetorica Ad Herennium de autor anónimo, Cícero e Quintiliano abordaram a representação nos seus tratados. Os autores medievais procedem com grande liberdade em relação à representação: uns omitem a importância da representação nos seus pequenos tratados; outros inspiram-se na Ad Herennium (o mais influente tratado na Idade Média) e nos ensinamentos dos Padres, como S.to Agostinho, S. Jerónimo e S. Gregório; outros, porém, abordam a teoria da voz, gestos e rosto com grande inovação, a qual completa e dá plenitude à teoria retórica antiga. Ora, foram estes autores que nós privilegiámos no nosso estudo.

Palavras-chave


Retórica medieval; Actio/pronuntiatio retórica; Representação; Voz e gesto; Oralidade e performance.

Texto completo:

PDF

Referências


ALBERTANO DA BRESCIA. Liber de doctrina dicendi et tacendi. La parola del cittadino nell’ Italia del duecento. A cura di Paola Navone. Florença: Sismel, 1998.

ALBERTE, Antonio. Retórica Medieval: Historia de las artes predicatórias. Madrid: Centro de Linguística Aplicada Atenea, 2003.

ALEXANDRE DE ASHBY. De modo praedicandi. In Antonio Alberte (org.), Retórica Medieval: Historia de las artes predicatórias. Madrid: Centro de Linguística Aplicada Atenea, 2003, p. 237-238.

ANÓNIMO. Expeditis duobus paradigmatis. In Antonio Alberte (org.), Retórica Medieval: Historia de las artes predicatórias. Madrid: Centro de Linguística Aplicada Atenea, 2003, p. 188-90.

BONCOMPAGNUS DA SIGNA, Rhetorica novíssima. In SCRINEUM, Aggi e materiali on line di scienze del documento e del libro medievali (Janeiro, 2011). Disponível em: http://scrineum.unipv.it/wight/rn4.htm. Acesso em 15/3/2018.

FREDERICO DE NURX. Artis praedicandi tractatus. In Antonio Alberte (org.), Retórica Medieval: Historia de las artes predicatorias. Madrid: Centro de Linguística Aplicada Atenea, 2003, p. 185-88.

GEOFFROY DE VINSAUF. Documentum de modo et arte dictandi et versificandi. In E. Faral, Les arts poétiques du XII.e et du XIII.e siècle. Paris: Champion, 1971, p. 263-320.

GEOFFROY DE VINSAUF. Poetria Nova. In E. Faral (org.), Les arts poétiques du XII.e et du XIII.e siècle. Paris: Champion, 1971, p. 194-262.

JACQUES DE DINANT. Ars arengandi. In Analecta Reginensia. Città del Vaticano: Biblioteca Apostolica Vaticana, 1933.

JOÃO DE MAGUNCIA. Tractatulus de modo praedicandi. In Antonio Alberte (org.), Retórica Medieval: Historia de las artes predicatorias. Madrid: Centro de Linguística Aplicada Atenea, 2003, p. 191-92.

PLUTARCO. Vidas paralelas. Demóstenes e Cícero. Trad. de M. Várzeas. Coimbra: Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos, 2010.

TOMÁS WALEYS. De modo componendi sermones. In Antonio Alberte (org), Retórica Medieval: Historia de las artes predicatórias. Madrid: Centro de Linguística Aplicada Atenea, 2003, p. 128.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Boitatá
E-ISSN: 1980-4504
Universidade Estadual de Londrina
E-mail: boitata@uel.br
Telefone: (43) 33714428