As sereias de Jericoacoara e seus heróis lunátipos

Andréa Caselli Gomes

Resumo


O propósito deste trabalho é o estudo crítico da angústia humana perante o mistério do sagrado feminino no conto de André de Sena. O conto é uma narrativa de viagem ficcional e se insere no contexto da nova literatura imaginativa regional brasileira. Neste artigo são analisados os modos como o fantástico e a simbologia poética refletem preocupações existenciais através dos relatos de encontros. A partir da figura da sereia e da metáfora do mar, podem ser encontradas expressões regionais e típicas de uma localidade, que configuram modos de pensar singulares em relação à emancipação da individualidade pós-moderna. Mesmo com o avanço científico e tecnológico, a origem mútua da vida e da morte ainda desconsola a humanidade contemporânea que, até então, a vincula aos segredos femininos. Através da interpretação do insólito, também são abordados os contrastes entre mobilidades e superstições em diferentes épocas no Brasil. Para a análise do conto, foi utilizado um referencial teórico transdisciplinar de autores das áreas da antropologia, da literatura e da história, a fim de garantir uma abordagem de diálogo literário que reflete o eterno devir humano entre sua ancestralidade e seu destino.

Palavras-chave


Literatura fantástica; Sereias; Religião e Literatura; Sagrado feminino

Texto completo:

PDF

Referências


BACHELARD, Gaston. A água e os sonhos: Ensaio sobre a imaginação da matéria. Tradução de Antônio de Pádua Danese. São Paulo: Martins Fontes, 2013.

BOIM, Miguel. Sintra Lendária: Histórias e lendas do monte da lua. Sintra: Zéfiro, 2014.

BURKE, Edmund. Uma investigação filosófica sobra a origem de nossas ideias do sublime e do belo. Tradução de Enid Abreu Dobránszky. São Paulo: Papirus/Unicamp, 1993.

CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia dos mitos brasileiros. São Paulo: Global, 2002.

CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. Dicionário de símbolos: Mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, números. Tradução de Vera da Costa e Silva et al. Rio de Janeiro: José Olympio, 1996.

DANTAS, Olavo. Sob o céu dos trópicos. Rio de Janeiro: José Olympio, 1938.

JOACHIMSTHALER, Jürgen. A literarização da região e a regionalização da literatura. Revista Antares, Caxias do Sul, n. 2, v.2, 2009.

KAYSER, Wolfgang. O grotesco: configuração na pintura e na literatura. Tradução de J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 2009.

MELO, Mario. Lendas Pernambucanas. Revista do Instituto Arqueológico Pernambucano. Pernambuco, 1930. v. 29, p. 26-35.

OVÍDIO. Metamorfoses. Tradução de Manoel Maria du Bocage. São Paulo, Hedra, 2007.

PELINSER, André Tessaro. O espaço regional na literatura brasileira: um problema de fronteiras. Revista Travessias Interativas, Sergipe, v. 8, n. 2, 2014.

RONECKER, Jean-Paul. O simbolismo animal: mitos, crenças, lendas, arquétipos, folclore, imaginário. Tradução de Benôni Lemos. São Paulo: Paulus, 1997.

RILKE, Rainer Maria. Cartas a um jovem poeta. Tradução de Pedro Süssekind. Porto Alegre: L± 2007.

SENA, André de. Lunátipos: contos e fragmentos. Recife: Bagaço, 2014.

RILKE, Rainer Maria. Depoimento [setembro de 2017]. Entrevistadora: Andréa Caselli. Recife, 2017.

SLENES, Robert. Malungo, ngoma vem!: África coberta e descoberta do Brasil. Revista da USP, São Paulo, p. 48-67, dez. 1991/fev.1992.

THOMSON, Philip. The grotesque. London: Cox & Wyman, 1972.

TODOROV, Tzvetan. Introdução à literatura fantástica Tradução de Maria Clara Correa Castello. São Paulo: Perspectiva, 2012.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Boitatá
E-ISSN: 1980-4504
Universidade Estadual de Londrina
E-mail: boitata@uel.br
Telefone: (43) 33714428