Ficcionalização de si e outros traços performáticos em Poems & Insults, de Bukowski

Samuel Velasco

Resumo


Este artigo trata do contexto de produção e circulação da performance Poems & Insults de Charles Bukowski, e também faz uma breve análise da leitura de poemas gravada em 1973 (é imperativo distinguir entre a análise da performance e da mídia gravada), enfatizando o imbricamento de formas culturais na sociedade americana, cuja identidade nacional privilegiava a cultura popular. O conceito de performance é apresentado a partir das definições de Bert States, Peggy Phelan, Paul Zumthor, Mikel Dufrenne, Richard Schechner, Irving Goffman, Ruth Finnegan e Richard Bauman, e a leitura de poemas é analisada segundo os traços performáticos demonstrados e a ficcionalização de si executada pelo autor, o qual performatiza sua persona literária no palco, ao invés de “si mesmo”. Assim, poemas escritos são tornados em breves narrativas durante a performatização, alterando as sensações e sentidos originais do texto escrito pelo meio da voz do autor, recepcionado pela “comunidade de fala” que circundava a histórica livraria City Lights.


Palavras-chave


Voz. Performance. Ficcionalização. Bukowski. Circulação oral de poemas escritos.

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Referências


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