Narrativas caipiras e a reinvenção do quotidiano na paulistânia

Daniel Batista Lima Borges

Resumo


A partir do relato de pesquisa realizada no bairro Boa Vista, em Caçapava (SP), pretendeu-se analisar atuações de contadores de histórias nos bairros rurais da região denominada por Antonio Candido, em Os parceiros do Rio Bonito, de Paulistânia caipira. Considerando-se que os modos tradicionais de narrar tais como Candido descreveu não existem mais na região pesquisada, e que a narração acontece em outras configurações sociais, decidimos analisar entrevistas em áudio de modo a descrever essas novas práticas narrativas. Deste modo, buscou-se discutir de que forma as narrativas orais contadas no cotidiano podem ser consideradas como práticas de ressignificação da realidade e de criação, mesmo após mudanças socioeconômicas agressivas, que produzem narradores não legítimos e sociedades comunidades fragmentadas, colocando em questão a possibilidade de existência de narração em meios em via de urbanização.


Palavras-chave


Caipira. Oralidade. Narração. Literatura e sociedade.

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