A canção e a poesia no nacionalismo cultural irlandês

Adelaine LaGuardia, Raimundo Sousa

Resumo


Numa perspectiva suplementar em relação às teses que creditam a constituição imaginária da nação a práticas escriturais como o jornal impresso e o romance, ressaltamos o papel desempenhado nesse exercício imaginativo pela literatura de expressão oral, especificamente a canção e a poesia. Para tanto, focalizamos o nacionalismo cultural empreendido na Irlanda, cuja população, majoritariamente iletrada, dependeu de poéticas orais para se imaginar como nação. Assim, avaliamos, mediante exame de canções e poemas produzidos pelo nacionalismo irlandês no século XIX e início do XX, o contributo da canção e da poesia para a criação e difusão de um sentimento de nacionalidade entre os irlandeses. Ao investigarmos a metaforização da Irlanda como uma mãe que, em relação aos filhos varões, mostra-se ora protetora, ora dependente, ora desleal, atentamos tanto para a instrumentalidade ideológica da literatura no sentido de instigar os irlandeses à luta pela descolonização quanto para seu efeito subjetivo como canalização de ansiedades decorrentes da experiência colonial.

Palavras-chave


Irlanda; Nacionalismo; Canção; Poesia

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