Voz e natureza: a moral no mito pantaneiro Mãozão

Marcelo Rodrigues Jardim

Resumo


A meta principal nesse artigo é verificar qual a relação entre narrativas orais referentes ao mito do mãozão, veiculadas por narradores pantaneiros, e a presença de preceitos morais, subentendidos ou não, da comunidade narrativa do Pantanal sul-mato-grossense. O mãozão, conforme é apresentado pelos narradores, tem por característica mais comum a defesa de sua morada: a mata. Assim, aqueles que a invadem ou a depredam são castigados física e psiquicamente. O narrador traz para as narrativas, no momento da performance, representações dos anseios coletivos e individuais, os quais podem ser identificados pelos participantes do processo comunicativo. As narrativas orais a respeito do mãozão corriqueiramente representam a ética considerada pela comunidade geradora e demonstram como o narrador percebe e julga seu mundo circundante de modo poético.


Palavras-chave


Poesia oral; Narrativas orais pantaneiras; Moral; Mito do Mãozão

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Referências


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