Da Grécia à MPB: poesia, música e oralidade

Cláudia Sabbag Ozawa Galindo

Resumo


O termo grego “mousiké” englobava uma unidade integrada de melodia e verso e representava o principal canal de formação dos homens, bem como de manifestação de uma cultura predominantemente oral. Era desta forma, pelo discurso oral, em performance, que se concretizava uma voz coletiva. Assim é que a oralidade se manteve praticamente onipresente durante muito tempo, também na Idade Média. Característica das canções medievais, a oralidade estava presente no próprio gérmen das poesias, que nasciam para serem cantadas. Até por volta de 1400, em todo o Ocidente, a escritura pouco influenciava o comportamento ou o pensamento dos poetas e as expectativas do público, na sua maioria analfabeto. Mas a escrita, gradativamente, enraizou-se nas civilizações, como necessário e natural produto da oralidade. No entanto, a palavra falada subsiste e já no Renascimento vários textos foram musicados, porém foi com o Simbolismo, no fim do século XIX, que Baudelaire procurou fazer com que as palavras tivessem “um valor essencialmente musical”. Buscaram a voz viva da palavra na música internalizada da poesia. Muito adiante, já no nosso século, uma forte tendência de fazer reintervir a voz na mensagem poética se impõe decisiva, a “poesia sonora”. E a poesia musical de cinco ou seis séculos de história européia estendeu seus efeitos em vários setores da música popular, nos dois lados do Atlântico, até o século XIX, quando não ao XX. Foi quando, no Brasil, “(...)toda uma geração de bons poetas escolhe a música popular e não o livro como canal de comunicação” (SILVA, 1975, p.178)


Palavras-chave


Oralidade. Poesia. Música.

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