Ser Professor de História em tempos difíceis: início de um processo formativo

Marilia Gago

Resumo


A realidade presente partilha uma narrativa histórica que parece estar muito centrada no que nos distingue. A humanidade parece ser definida mais pelo que a separa do que pelo que a une, pelo que existe em comum. Partilhando-se a necessidade de um novo olhar acerca do ser humano e da concepção que a História é transformativa e permite a complexificação da compreensão do mundo considerou-se relevante compreender como um processo de formação pode contribuir para o desenvolvimento profissional e pensamento histórico de futuros professores de História, alunos de mestrado de formação profissionalizante. Propõem-se a análise das ideias que emergiram de uma tarefa inicial proposta e realizada por vinte alunos, futuros professores de História, tendo-se em vista o desafio destas ideias ao longo do processo de formação, e numa lógica longitudinal, acompanhar o desenvolvimento profissional e do pensamento histórico destes alunos. Emergiram ideias que se pautam por uma lógica de profissionalismo gerencialista e de perspetivar a História como o campo que forma cidadãos. Estas ideias sugerem estar em rota com demandas externas veiculadas por entidades e agendas políticas.

Palavras-chave


Humanismo; Educação histórica; Formação de professores; Profissionalismo gerencialista; Profissionalismo democrático

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1984-3356.2018v11n22p505

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