A política de conciliação nos folhetins: Joaquim Manuel de Macedo e A carteira do meu tio (1855)

Carollina Carvalho R. de Lima

Resumo


Em 1855, Joaquim Manuel de Macedo ofereceu ao público-leitor brasileiro um livro de viagem, cuja preocupação não era somente promover o divertimento de seus leitores, mas, principalmente, apresentar um quadro da situação política no país e da atuação dos homens públicos naquele contexto. A carteira do meu tio, portanto, com seu tom satírico, expunha a visão de Macedo sobre alguns temas importantes à época: a política de conciliação conduzida por Marquês de Paraná, o sistema representativo brasileiro e o comportamento da classe política no Brasil. Tendo em vista o impacto dessa obra na década de 1850 e seu esquecimento com o passar dos anos, este artigo analisa o relato do sobrinho-viajante, cujo teor parece ser ainda tão atual.

Palavras-chave


Joaquim Manuel de Macedo; A carteira do meu tio; Literatura de viagem; Sátira política; Política de conciliação; Imprensa

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DOI: http://dx.doi.org/10.5433/1984-3356.2017v10n20p801

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