Ecos Kararaô - nosso açougue é o mato, nosso mercado é o rio: considerações a respeito da Hidrelétrica Belo Monte

Sheila Castro, Eliaquim Timóteo da Cunha, Ivaneide Bandeira Cardozo, Luís Carlos Maretto, Adnilson de Almeida Silva

Resumo


Este artigo objetiva apontar alguns aspectos da participação de diversas etnias indígenas e comunidades tradicionais nos embates que envolvem os governos em suas esferas federal, estadual e municipal. Visa também evidenciar a questão dos acordos comerciais e a implantação de mais um dos empreendimentos de grande porte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que proporcionará grandes impactos ambientais e étnicos para as populações que estão dentro e no entorno da área afetada diretamente pela Usina Hidrelétrica de Belo Monte - UHBM, no Estado do Pará. O discurso do progresso proferido pelos defensores da hidrelétrica confronta-se com os contextos e objetivos das comunidades que não visualizam os benefícios oriundos do empreendimento, estes indicadores de grandes transformações nos modos de vida, visto que a relação intrínseca com o rio será definitivamente rompida e a nova realidade se sobreporá em seus territórios, de modo que algumas de suas práxis existenciais não poderão ser realizadas em virtude da implantação da UHBM.


Palavras-chave


Amazônia; Belo Monte; Comunidades; Desenvolvimento; Discurso.

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