MARXISMO: UMA SOMBRA JURÁSSICA NOS DIAS DE HOJE?
Sandra Regina de Abreu Pires*
* Docente do Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina. Mestre em Serviço Social pela PUC-SP. Doutoranda em Serviço Social pela PUC-SP

RESUMO

O texto tem como tema a Crise do Marxismo, um debate presente no âmbito das Ciências Sociais no início dos anos 90, mas que parece muito vivo ainda hoje. Tem por propósito alertar, a partir do resgate dos principais argumentos utilizados tanto na defesa da existência dessa crise como em seu desmonte, para a necessidade de um esforço teórico-crítico no sentido de aprofundar o legado marxista e fazer frente à reação conservadora que tem invadido os meios acadêmicos do Serviço Social.

Palavras-chaves: Crise do Marxismo, Crise do Socialismo Real, vitalidade do Marxismo.


Há alguns anos, particularmente no período pré e imediatamente pós-desmoronamento da URSS e da queda do muro de Berlim, instalou-se no âmbito das Ciências Sociais um debate significativo acerca de uma possível morte do Marxismo ou, na melhor das hipóteses, de uma crise desta perspectiva.

Não era raro ouvir , seja de conservadores de plantão seja de ”marxistas desiludidos”, críticas que, em última análise, se pautavam na crença de que o Marxismo estava obsoleto e ultrapassado. Ou seja, não era mais válido para explicar as peculiaridades dessa nova ordem mundial marcada pela globalização, pela revolução tecnológica e etc., bem como para enfrentar os “novos” fenômenos que dela emergem.

Em resposta a essas críticas, também não foram raras as publicações que se colocaram no sentido de elucidar essa questão, inclusive procedendo um desmonte à inclusão do Marxismo na chamada crise dos paradigmas.

Entretanto, ao que parece, isso não foi suficiente: colocações em defesa dessa morte ou crise são, com maior ou menor sofisticação e de uma forma mais ou menos explícita, permanentemente repostas. Desse modo, este texto tem por objetivo recolocar 1 aspectos concernentes à denominada Crise do Marxismo e, de modo sucinto, destacar elementos que joguem à favor de seu desmonte.

1. O Contexto e os Argumentos em defesa da existência de uma Crise do Marxismo

Embora seja tão fortemente defendida, a existência ou não de uma crise do Marxismo não é uma questão consensual. Tendo a acreditar que o Marxismo não está passando por uma crise terminal ou que envolva a Tradição Marxista como um todo, embora tenhamos que admitir que no Brasil e no mundo há atualmente uma forte “onda” neoliberal e uma recorrência crescente à social democracia, que rebate também no Serviço Social.

É sabido que o Marxismo sempre foi alvo de críticas e que historicamente já decretou-se várias vezes sua morte. Aliás, diga-se de passagem, cada uma delas ocorre em contextos de reações conservadoras. Se isso não é algo recente ou inédito, o que existe de novidade para servir de justificativa?

O “novo” parece residir no contexto maior onde ela estaria inserida, ou seja, na crise da modernidade, mais precisamente no questionamento da racionalidade na crise da modernidade.

As profundas transformações, ocorridas principalmente no último século, deram ao mundo moderno uma configuração totalmente distinta daquela existente no anterior. Ele se apresenta mais complexo e há um certo desencanto com os resultados que a modernidade trouxe. A modernidade é aqui entendida como “grande projeto histórico, social e cultural que, contido no iluminismo, vinculava a racionalidade do controle sobre a natureza à emancipação e à liberação dos homens” (NETTO, 1992, p.12).

Pelas mãos do progresso e da ciência/da razão, a modernidade não levou a humanidade à estágios superiores de relação harmônica do homem com a natureza e com os outros homens. O que se argumenta é que a ciência moderna, nascida da razão, nos levou à problemas como, por exemplo, a destruição do meio ambiente, a produção ampliada da miséria e novas formas de exploração no mundo do trabalho. Enfim, em lugar da autonomia e da libertação, trouxe aos homens maior dominação e exploração (agora sob novas formas) – trouxe a barbárie. A premissa é de que, então, existe uma crise de cultura e de civilização vinculada ao fracasso das promessas da modernidade: um desencantamento com o mundo.

Dentro disso há também um questionamento dos paradigmas (com reserva para essa denominação no sentido de sua adequação às Ciências Sociais) de racionalidade que se afirmaram no processo de modernidade. O alvo recai sobre aqueles paradigmas, entendidos como modelos, elaborados no século XIX quando a realidade existente era menos complexa e nos quais a explicação e a interpretação da realidade apresenta dimensões abrangentes, macro-societárias.

As interpretações herdadas dos clássicos, configuradas em visão macro da sociedade e em generalizações, estariam obsoletas na medida em que: a) correspondendo a uma realidade passada/superada, não respondem às peculiaridades do final do século XX, o qual apresenta-se com facetas antes desconhecidas como o propalado fim da luta de classes; b) pela generalização e abrangência, pareceriam não deixar espaço para o indivíduo ou serem capazes de dar conta do particular, do concreto, do específico. Neste sentido, passa-se a visualizar uma tendência nas Ciências Sociais que reivindica o trabalho com o micro, com o particular e, para tal, a busca de novas abordagens analíticas.

Por que a maior parte dessas críticas converge particularmente para o Marxismo? Porque era justamente ele que trazia a possibilidade concreta de construção de um novo mundo, de uma nova sociedade, o que não se viabilizou ou se viabilizou de forma problemática no leste europeu. É aí que a crise do Socialismo Real assume uma dimensão importante, na medida que, falindo, abre espaço para a propaganda a favor do neoliberalismo – da sociedade de mercado como única alternativa ao fim do socialismo.

De fato, nos últimos anos essa posição a favor da morte do Marxismo é reforçada pelo desmoronamento da União Soviética, pela queda do muro de Berlim, enfim, pela crise verdadeira que se instala naqueles países que tinham como projeto uma sociedade socialista: a falência do Socialismo Real.

Nesse sentido, a falência do Socialismo Real (e do Marxismo-Leninismo) é interpretada como crise ou morte do Marxismo, sendo esse um outro argumento daqueles que acreditam na incapacidade total ou parcial do Marxismo (como sustentação) e na do Socialismo/Comunismo como alternativa ao Capitalismo.

2. Existe realmente uma Crise do Marxismo?

Todos os argumentos expostos parecem bastante fortes para indicação da existência de uma crise sendo necessário, entretanto, uma relativização dos mesmos.

Um primeiro aspecto seria a validade ou não do pensamento de Marx na sociedade burguesa atual. De fato, Marx constrói sua Teoria Social (reprodução ideal do movimento real de seu objeto, ou seja, gênese, consolidação, desenvolvimento e condições de crise da ordem burguesa) no século XIX quando a configuração social era totalmente distinta da que se tem hoje. É evidente que houve um amadurecimento da ordem burguesa e que hoje nos deparamos com problemas que não foram contemplados por Marx e que nem poderiam: ele era um homem de seu tempo, assim como o eram Comte, Durkheim, Burke, Locke, etc..

Não há nisso nenhum elemento depreciativo. Como bem coloca NETTO (1991), como a construção de Marx poderia ter sobrevivido sem nenhum “arranhão” se o seu próprio objeto – ordem burguesa – é mutável ? Como se pode cobrar de Marx a abordagem de questões inexistentes em seu tempo e respostas específicas a elas?

Fazer isso é atribuir à Marx um caráter profético e ele não era um profeta: suas afirmativas tinham como referência um determinado contexto sócio-histórico no qual não estavam presentes muitas variáveis que se colocam no mundo moderno.

Concordando com o citado autor, a questão primordial, portanto, não é exatamente os resultados a que chegou, embora o amadurecimento da sociedade burguesa em todo o século XX não tenha invalidado nenhuma das tendências estruturais de seu desenvolvimento que Marx tinha capturado/descoberto como, por exemplo, a consolidação do monopólio, a concentração e a centralização do capital e a reiteração de crises periódicas.

A questão primordial deve ser o modo pelo qual Marx chegou aos resultados, isto é, o seu modo de pensar o social, o seu método.

E o seu método é valido para esclarecer os “novos” problemas da ordem burguesa contemporânea? Penso que sim. O que temos hoje não são “novos” problemas; são novas configurações, novos nuances, novas facetas e a existência de novos elementos concernentes ao desenvolvimento de seu objeto cujos fundamentos, porém, não deixaram de ser contemplados.

O seu objeto não deixou de existir. Se os resultados a que chegou podem, total ou parcialmente, não serem mais válidos para os tempos de hoje (não há aí nenhuma ortodoxia), seu método de investigação continuará válido enquanto seu objeto continuar a existir. A adoção do método marxiano ”como instrumento de conhecimento, é a condição tanto para desvelar o desenvolvimento da ordem burguesa quanto para atualizar os resultados alcançados por Marx” (NETTO, 1991, p.31), como para dar conta dos elementos não contemplados por ele.

Um outro aspecto a ser destacado é a identificação da crise ou falência do Socialismo Real como sendo uma crise ou falência do Marxismo.

Entendo que não restam dúvidas quanto à veracidade da crise do Socialismo Real que não se configura como passageira e não se restringe apenas à URSS. Não cabe no âmbito deste texto o detalhamento sobre isso, porém, da literatura existente destaca-se dois aspectos que são igualmente inquestionáveis:

a) A alternativa adotada pela URSS, preponderantemente durante e pós-ditadura Stalinista, não foi o único projeto socialista posto em debate na ocasião. Pelo contrário, além de não ser o único, sofreu várias deformações no decorrer de sua implementação sendo sua crise, portanto, a crise de um tipo específico de organização econômico-social e política; e

b) O processo revolucionário que se inicia com a Revolução de 1917 não contava com as condições preconizadas por Marx como necessárias à transição socialista, a saber, um alto grau de desenvolvimento das forças produtivas (industrialização e urbanização capitalistas) e uma classe operária numericamente significativa e suficientemente organizada. Longe de ser um detalhe, a inexistência dessas condições, a necessidade do Estado criá-las e o fato de não ter sido acompanhada por revoluções em escala mundial ou pelo menos em países que preenchiam aquelas outras condições, acabaram por se configurarem em limites para o sucesso da transição ao socialismo no leste europeu.

A questão importante que essa identificação entre crise do Socialismo Real e crise do Marxismo suscita é se isso aponta para a impossibilidade de implementação de um projeto socialista.

Assim como NETTO (1991), CARVALHO (1992) e PAULA (1995), entendo que não. É claro que essa crise, exponenciada pela citada crise da modernidade, pela forte reação conservadora que temos assistido nas últimas décadas, por toda a propaganda anti-marxista e pela imagem da sociedade burguesa como aparentemente forte e insuperável, coloca-se como um obstáculo a mais, mas isso não significa impossibilidade.

Não deve haver relação direta e automática entre o fracasso de uma determinada alternativa socialista e a impossibilidade de gestão ou implementação de outros projetos que considerem as condições objetivas e subjetivas existentes. Não acreditar nisso implica, no mínimo, em soterrar todas as esperanças de uma sociedade livre, democrática, igualitária, sem exploradores e explorados, enfim, soterrar ideais tão caros ao homem desde os primórdios da humanidade e conformar-se com o tipo de sociedade na qual vivemos.

Junto com o questionamento da associação entre Socialismo Real e Marxismo, NETTO (1991) levanta outra questão, cuja elucidação ajuda no enfrentamento das críticas: quando se fala em crise do Marxismo, de que Marxismo está se falando?

Argumenta que a partir do pensamento de Marx (marxiano), se originaram várias interpretações/desdobramentos/correntes que se entrecruzaram e se relacionaram, às vezes de forma colidente. Assim, a Tradição Marxista (o conjunto) tem em seu interior diferentes vertentes (Marxismos), e a crise de uma delas não significa a crise do conjunto.

Reforça que um resgate histórico mostrará que a sustentação da autocracia stalinista estava em um dos desdobramentos da Tradição Marxista: o Marxismo-Leninismo (uma concepção reducionista e vulgarizada do pensamento marxiano – Marxismo Vulgar). Apesar do Marxismo-Leninismo ter conseguido um hegemonismo a partir dos anos 30 e de ter sido posto no movimento comunista como o Marxismo Oficial (como discurso institucional legitimador do Estado-Partido soviético), isso não ocorreu sem resistências e sem críticas vindas do interior da própria Tradição.

Com essa argumentação, e evidenciando a importância dessas críticas que demostram o afastamento do Marxismo-Leninismo em relação ao pensamento marxiano, NETTO (1991) concorda com uma decadência desta vertente, afirmando mesmo a sua morte (concomitante com o desmoronamento da experiência no Leste Europeu). Entretanto, discorda que essa condição possa ser transposta para o conjunto: a crise do Socialismo Real só pode ser identificada com uma crise do Marxismo se esse for identificado com o Marxismo-Leninismo.

O que estamos presenciando, diz ele, não é diferente do que ocorreu ao longo da constituição da Tradição Marxista, onde se pode ver a existência de crises de uma ou outra vertente (Marxismos) funcionando, inclusive, como incentivo para a emergência de vertentes alternativas.

Embora não tenha sido explicitado diretamente pelo autor, é neste sentido que se pode visualizar o amadurecimento, dentro da Tradição Marxista, de uma vertente denominada por alguns de Humanista. Pensadores filiados a essa vertente têm direcionado seus esforços no sentido de, a partir do próprio Marx, desmontar construções vulgarizadas e mecanicistas preponderantemente aquelas que realmente parecem subestimar ou ignorar o papel ativo do indivíduo na história e valorizar categorias ditas econômicas e macro-societárias.

Não há dúvidas de que esta empreitada foi fortemente influenciada pela necessidade de contraposição ao Marxismo-Leninismo e que tenha sido beneficiada da descoberta de textos marxianos fundamentais para alicerçar uma concepção humanista em Marx como os “Manuscritos Econômicos e Filosóficos” e a “Ideologia Alemã. Embora escritos em 1844 e 1845/1846 respectivamente, estes textos só foram publicados, em língua original, em 1932, deixando uma grande lacuna no conhecimento da totalidade da obra de Marx por parte das gerações posteriores, incluindo pensadores extremamente significativos como Lenin, Kautsky e Rosa Luxemburgo.

A partir destes textos, e também dos “Grundrisse – Elementos Fundamentais para a Crítica da Economia Política” escrito em 1857/1858 e publicado entre 1939 e 1940, não cabe, a não ser por pura desinformação, o argumento de que Marx não contemplou o indivíduo, as relações entre o homem e a natureza e entre os próprios homens e outras categorias como liberdade, felicidade, etc. SCHAFF (1967) chega a afirmar que o ponto de partida de Marx é o homem e seus problemas e que sua tarefa, mesmo na abordagem de categorias econômicas, era “vencer a alienação econômica, em seus diversos fenômenos e conseqüências, para garantir melhores condições ao desenvolvimento da personalidade e da felicidade pessoal do indivíduo humano”. (SCHAFF, 1967, p.32)

Em síntese, pode-se afirmar que tanto no plano do desenvolvimento teórico como no de implementação prático-política (duas instâncias aqui separadas apenas em termos redacionais), não é possível falar em crise do Marxismo e sim, em crises dentro da Tradição Marxista, em crise de uma determinada linha de interpretação.

3. Considerações Finais

Feitas estas observações, creio que é importante fazer um alerta quanto a um possível tom ingenuamente otimista que poderia ser depreendido do texto. A defesa e a certeza quanto à validade e à vitalidade do Marxismo não implica concebe-lo como um dogma de fé e muito menos assumir uma postura de crença cega quanto à inevitabilidade de uma transição socialista.

Ao contrário, o momento é extremamente crítico, na medida em que, no plano prático-político, convive-se com a já mencionada reação conservadora que coloca o capitalismo, pelo menos até sua próxima cíclica crise estrutural, como irreversível e as possíveis propostas de organizações sociais alternativas à ele como inviáveis. Dificuldades, obstáculos e condições objetivas/subjetivas adversas não são sinônimos de inviabilidade, assim como uma crítica rigorosa à matrizes conservadoras e em especial ao neoliberalismo não é, por si só, garantia de inevitabilidade de uma transição socialista.

Por outro lado, não há transformação que se faça sem conhecimento e sem análise crítica, já que é o movimento da razão, apreendendo no plano ideal o mais fielmente possível o movimento real do objeto, que permite a visualização e a proposição de alternativas.

Assim, os desafios postos pelo mundo moderno, tanto no plano prático-político como no plano teórico-metodológico, exigem, para sua resolução, um gigantesco esforço teórico-crítico de todos e principalmente dos “marxistas”. Esse esforço implica não em um abandono de Marx, mas em uma volta a ele. Isto é, é necessário, principalmente para nós Assistentes Sociais em razão da forma problemática como nos aproximamos e nos apropriamos da Tradição Marxista, que se faça um esforço em conhecer de fato este ilustre desconhecido que é o Marxismo para nós; que se aprofunde o legado de Marx; e que se faça uma apropriação de seu método.

É só desse modo que será possível vencer os equívocos cometidos nas últimas décadas na interlocução com a Tradição Marxista, eliminar as interpretações equivocadas e, acima de tudo, contribuir para o desvelamento do mundo atual, desnudando o propagado “novo” que ele apresenta.

Evidentemente que essa tarefa não é simples ou fácil, principalmente quando no próprio interior das Ciências Sociais e do Serviço Social temos que lutar contra tendências revisionistas e contra outras que, revestidas de maior ou menor sofisticação, intentam um retrocesso em todos os avanços conquistados. Também não é nada fácil se levarmos em conta as pressões sofridas no cotidiano profissional que nos fazem correr o risco de assumir uma postura fatalista.

Porém, a pergunta chave continua sendo a mesma: que sociedade queremos? Uma sociedade como a atual que joga a maioria da população em processos mais duros de exploração e de exclusão? Uma sociedade que já nos mostrou que não tem nada a oferecer a não ser a barbárie? Se não é isso que queremos, fazer coro à morte do Marxismo é um caminho que temos que evitar – a saída é enfrentá-la e não adequar-se à ela.

Evidentemente que o enfrentamento passa pela atuação de cada um enquanto sujeito histórico ativo, no entanto, a parcela de contribuição enquanto profissional inserido no mercado de trabalho não é menos importante.

Para tal não bastam apenas as “boas intenções”. Dentre outros elementos, é preciso um conhecimento teórico-prático dos meandros institucionais; é necessário um decorrente exercício profissional competente no sentido teórico, técnico e político e, dando base e indicativos para isso, uma formação profissional igualmente competente.

Portanto, em termos de formação profissional, não basta apenas preparar um profissional capaz de atender as demandas do mercado de trabalho tal como elas se apresentam, embora não haja discordância quanto ao fato de que oferecer condições para inserção e permanência no mercado de trabalho é uma tarefa obrigatória para os cursos, particularmente de graduação.

Para iniciar a formação de um profissional competente (já que ela não se restringe aos bancos escolares), é necessário mais que isso. É imprescindível, ao mesmo tempo, que se contribua para o desenvolvimento da capacidade de detectar as demandas emergentes ou tendenciais tanto em termos macro-societários, como em termos do espaço ocupacional; que se seja capaz não só de captar a realidade, mas de desvelá-la visualizando alternativas de ação com potencial transformador em maior ou menor grau.

O núcleo da problemática e que merece nossa atenção e reflexão é: Isso é possível através de um outro método que não seja o marxiano? Isso pode ser atingido com eliminação ou diminuição do espaço de abordagem da Tradição Marxista nas universidades?


NOTAS

1 O termo “recolocar” se deve ao fato de que este artigo tem por base principal um texto redigido pela própria autora no ano de 1995 como material preparatório para Concurso Publico, o qual, porém, não destinou-se à publicação e cujo título era “Crise do Marxismo e Serviço Social”. [volta]


ABSTRACT

The text has as theme the crisis of the Marxism, a present debate in the ambit of the social sciences in the beginnning of the nineties, but that seems very alive still today. It has for purpose to alert, starting from the ranson of the main arguments used so much in the defense of the existence of this crisis as its dismounts, for the need of a theoretical-critical effort in the sense of deepening the legacys marxist and to front to conservative reaction that has been invading the academic means of the Social Work

Key words: Crisis of the Marxism, Crisis of the Real Socialism, vitality of the Marxism.


BIBLIOGRAFIA

CARVALHO, Alba Maria pinho de Carvalho. A Pesquisa no Debate Contemporâneo e o Serviço Social. In: Cadernos ABESS V. A Produção do Conhecimento e o Serviço Social. São Paulo, Cortez, 1992.

NETTO, José Paulo. Crise do Socialismo, Teoria Marxiana e Alternativa Comunista. Revista Serviço Social e Sociedade, N.º 37, São Paulo, Cortez. 1991.

________. A Controvérsia Paradigmática nas Ciências Sociais. In: Cadernos ABESS V. A Produção do Conhecimento e o Serviço Social. São Paulo, Cortez, 1992

________. Notas sobre Marxismo e Serviço social, suas Relações no Brasil e a Questão de seu Ensino. In: Cadernos ABESS IV. Ensino em Serviço Social: Pluralismo e Formação Profissional. 2ª edição, São Paulo, Cortez, 1995

PAULA, João Antônio de. A Atualidade do Marxismo. In: Cadernos ABESS IV Ensino em Serviço Social: Pluralismo e Formação Profissional. 2ª edição, São Paulo, Cortez, 1995

SCHAFF, Adam. O Marxismo e o Indivíduo. Tradução de Heidrun Mendes da Silva. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.

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