RENDA

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Omar Neto Fernandes Barros; Mirian Vizintim Fernandes Barros; Rosely Sampaio Archela; Hervé Théry; Neli Aparecida de Mello. Lúcia Helena Batista Gratão.
 

 

O Programa Bolsa Família, é na opinião do governo atual (2006) um dos maiores e melhores programas de distribuição de renda e inclusão social já realizados no país. Foram garantidos no Orçamento da União recursos para atingir a meta de 11 milhões de famílias beneficiadas, contribuindo para reduzir as desigualdades regionais que dividem o país.

No Paraná, esse programa atende a 355 mil famílias. Até o fim do ano de 2005 a meta era ampliar o atendimento a mais 600 mil famílias, em relação ao ano anterior. No Sul do país, os percentuais de população atendida são mais baixos que no Norte e Nordeste, devido um cenário de distribuição de renda, mais equilibrado. Mas há exceções como nos municípios paranaenses de Turvo, Grandes Rios e Prudentópolis, onde 23%, 12% e 10% da população respectivamente são atendidas pelo programa.

Londrina, uma cidade rica na opinião de muitos, também recebe apoio dos diversos programas, tanto municipal (2524 famílias), quanto federal (9402 famílias), demonstrando a existência de um cenário de distribuição de renda intermunicipal com desvios sócio-espaciais. A geografia dos salários é reveladora das desigualdades socioeconômicas na sede do município de Londrina. Em todas as regiões encontramos pessoas com rendimento de até 3 salários mínimos sendo que no Centro Histórico elas são minoria e em direção às periferias, o percentual dos que ganham menos aumenta. Na periferia sul, 61 a 85% da população apresenta um rendimento de até 3 salários mínimos enquanto que na periferia norte esse percentual é de 41 a 60%.

Segundo dados publicados no jornal Folha de Londrina de 19/06/2003, o município de Londrina possui atualmente, 6,5% de sua população, vivendo abaixo da linha de pobreza determinada pelo programa Fome Zero do Governo Federal. Em Londrina, mais de 28.000 habitantes sobrevivem com menos de ¼ do salário mínimo e 95% destas pessoas moram na área urbana e geralmente, são catadores de papel, vendedores ambulantes e outros trabalhadores informais que moram em ocupações irregulares.

Em contrapartida, os bairros centrais, são nitidamente aqueles que concentram a maior parte das pessoas com rendimento superior a 20 salários mínimos. Com o estabelecimento de vários condomínios residenciais fechados e loteamentos em áreas de uso agrícola em parte da região sul-sudoeste, como nos bairros Esperança, Palhano, Vivendas do Arvoredo, e Chácaras São Miguel, a situação atual (2006) é diferenciada em relação aos dados coletados pelo censo em 2000. Os bairros centrais mais valorizados e com maior concentração de equipamentos urbanos, são também aqueles que concentram a maior parte das pessoas com rendimento superior a 20 salários mínimos, contrastando de forma marcante em termos espaciais e numéricos, com a distribuição daqueles que ganham até 3 salários mínimos.

Em dois terços dos setores censitários verifica-se a existência de  rendimento superior a 20 salários mínimos, porém, o que chama atenção, é que 57% dos 391 setores censitários, apresentam entre 1 e 18% de pessoas responsáveis pelos domicílios com rendimentos nesse valor. Até mesmo no reduzido número de setores onde esses são mais significativos, eles representam entre 37 e 56% do número de pessoas responsáveis pelos domicílios particulares permanentes.

A tabela 17 apresenta a distribuição numérica e percentual de renda dos Responsáveis pelos Domicílios Particulares Permanentes na sede municipal de Londrina. Nota-se que os que ganham até 3 salários mínimos representam 45,9 %, os que ganham entre 3 e 10 salários mínimos 38,3 % e, os que ganham mais de 10 salários mínimos, 15,8 %; sendo que, apenas 5,8 % (7.033) ganham mais de 20 salários mínimos.

 

Tabela 17 - Rendimento dos chefes de família em 2000

 Pessoas Responsáveis pelos Domicílios

Número

Percentagem

%

Sem rendimento

7.084

5,8

Até ½ salário mínimo

504

0,4

Mais de ½ a 1 salário mínimo

12.038

9,9

1 a 2 salários mínimos

20.443

16,8

2 a 3 salários mínimos

15.805

13,0

3 a 5 salários mínimos

22.603

18,5

5 a 10 salários mínimos

24.175

19,8

10 a 15 salários mínimos

6.830

5,6

15 a 20 salários mínimos

5.362

4,4

Mais de 20 salários mínimos

7.033

5,8

TOTAL

121.877

100,0

                                                                      Fonte: IBGE 2000