DISPARIDADES SÓCIO-ECONÔMICAS

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Omar Neto Fernandes Barros; Mirian Vizintim Fernandes Barros; Rosely Sampaio Archela; Hervé Théry; Neli Aparecida de Mello. Lúcia Helena Batista Gratão.
 

 

A análise de vários indicadores do IBGE revela importantes disparidades sócio-econômicas e sócio-espaciais na cidade de Londrina.

A maioria dos londrinenses reside em casas. O censo 2000 indicou 99.892 habitações unifamiliares localizadas, sobretudo fora dos bairros centrais. Indicou também uma predominância de domicílios próprios num total de 85.088 e 24.655 alugados.

A ausência de banheiro ou sanitários nos domicílios representa uma deficiência de equipamentos domésticos e de saneamento. Em Londrina a ausência desses equipamentos domésticos não chega atingir valores elevados quando comparada com outras cidades do país. Do total de setores censitários, 97% apresentam no máximo 4% dos domicílios nessa situação. Entretanto, nos bairros: Cidade Industrial 2, Parigot de Souza, Olímpico, Parque das Indústrias e Saltinho a situação é mais grave, pois, podemos chegar a ter entre 13% e 17% dos domicílios sem banheiro ou sanitário. Como esses bairros são periféricos os índices podem indicar resultados de uma situação ainda provisória na construção dos domicílios.

Como indicador indireto de conforto ambiental de moradia podemos confrontar os domicílios com 7 ou mais moradores (4.373) daqueles com apenas um morador (11.029), que, mesmo podendo ter uma melhor relação de densidade de moradia, representa potencialmente uma situação social de solidão. Nesses critérios, os domicílios mais populosos estão, sobretudo, nos bairros mais periféricos, enquanto podemos encontrar domicílios com só um morador em praticamente todos os setores, e principalmente nas zonas centrais. O censo revelou 171 domicílios improvisados, de qualidade ambiental duvidosa, distribuídas em quase toda a cidade, exceto nas áreas com setores censitários tipicamente rurais como: Esperança, Terra Bonita, Eldorado, Perobinha e Cilo 3. Do total de 123.617 domicílios em Londrina, os improvisados são apenas 0,14 %.

Os responsáveis pelos domicílios particulares permanentes com rendimento inferior a dois salários mínimos (40.069), que se pode definir como em situação de pobreza, têm sua moradia especialmente nas zonas periféricas, embora estejam presentes em todos os setores da cidade. Os responsáveis com rendimento superior a quinze salários mínimos (12.395) moram, sobretudo nos bairros centrais e, centro-sul.

Quando se analisa a taxa de masculinidade média de 0,93 e taxa de instrução elevada pode-se perceber claramente que há mais mulheres que homens e, que essas dominam no centro e sudeste. Os chefes de família sem instrução (10.616) são quase oito vezes mais do que os que estudaram até o nível de pós-graduação (1.378), e estão presentes em todos os setores com predominância nas periferias.

A síntese resultante da análise de variáveis socioeconômicas revela uma cidade dicotômica com dois centros nítidos: O Centro Histórico (C2) e bairros adjacentes; e o Cinco Conjuntos (C4) e bairros adjacentes, localizado na região norte.

As variáveis analisadas foram: taxa de masculinidade, responsáveis pelo domicílio com mais 15 salários mínimos, responsáveis pelo domicílio com até 2 salários mínimos, domicílios com 7 ou mais moradores, domicílio com 1 morador, domicílios alugados, domicílios próprios, apartamentos, casas, domicílios improvisados, domicílios com 4 ou mais banheiros, domicílios sem banheiros, fossa séptica, fossa rudimentar, evangélicos, católicos, pessoas com idade entre 6-18 anos, escolas particulares, escolas municipais, escolas estaduais e número de pessoas residentes.

Os dois centros (C2 e C4) têm em comum uma alta densidade demográfica, expressiva rede escolar e muitas igrejas, enquanto que as diferenças entre eles são o tipo de residência, renda dos responsáveis e condições de saneamento. Verifica-se no C2 a presença de edifícios residenciais, esgotamento sanitário por rede e predominância de chefes de família com rendimentos elevados. No C4, predominam casas térreas, saneamento por fossas e chefes de família com rendimentos médios. Dois outros aspectos interessantes e discriminantes destes dois centros (C2 e C4) são a menor taxa de masculinidade no Centro Histórico e maior presença de domicílios com 7 ou mais moradores no Cinco Conjuntos.

O conjunto de bairros do entorno do Centro Histórico (C5) e do bairro Cinco Conjuntos (C3) distingue-se por estar próximo dos seus centros, não só pelo critério espacial, mas, sobretudo, pelos indicadores sócio-ambientais. A classe da legenda C3 corresponde aos bairros próximos ao Cinco Conjuntos (norte), embora outros bairros como União da Vitória e Cafezal (sul); Olímpico (oeste); e os bairros Califórnia, Ernani e Fraternidade (leste); também, apresentem condições similares. A classe C5 corresponde aos bairros do entorno do Centro Histórico, formado por dezenove bairros, entre estes, Inglaterra, Shangri-lá, Bandeirantes e HU, com perfil socioeconômico médio.

A classe da legenda C6 é formada pelos bairros Leonor e Parque das Indústrias e apresentam perfil socioeconômico mais próximo ao C4 que corresponde ao bairro, Cinco Conjuntos.

A classe C1 é formada por um conjunto de 23 bairros que têm em comum a baixa densidade populacional e heterogeneidade quanto à renda. Apresenta perfil socioeconômico médio, com sensível desvio negativo para todas as variáveis analisadas, exceto para a variável taxa de masculinidade. Fazem parte desta classe os bairros Eldorado, Terra Bonita, Aeroporto, Cidade Industrial, entre outros.

 Londrina foi tratada pelos agentes organizadores de seus espaços como duas grandes unidades. Uma central e outra deslocada ao norte. Suas áreas de influência são expressas na mancha geográfica e marcam fortemente esta cidade como dicotômica.