VEGETAÇÃO DE FUNDOS DE VALE

 

Mirian Vizintim Fernandes Barros; Rosely Sampaio Archela; Omar Neto Fernandes Barros; Hervé Théry; Neli Aparecida de Mello. Lúcia Helena Batista Gratão

 

 

Da densa Floresta Estacional Semidecídual que ocorria na região de Londrina restam algumas áreas parcialmente preservadas, como o Bosque no Centro Histórico, e outras que foram transformadas em Unidades de Conservação, como o Parque Municipal Arthur Thomas, localizado no bairro Piza, que hoje serve de testemunho da exuberante vegetação original.

Ao longo do processo de urbanização a mata original foi substituída, primeiramente, por plantações de café e mais tarde, incorporadas às áreas urbanas, restam 32 km2 de vegetação de fundo de vale, ou seja, 13% do total da área urbana.

Nos interstícios intra-urbanos, encontram-se ainda acompanhando os fundos de vale, alguns resquícios da vegetação natural como a florestal, a arbórea, a capoeira e a vegetação rasteira (MENDONÇA; BARROS, 2002). Da vegetação ainda existente nos fundos de vale, o tipo predominante é a arbórea com 52%, somada à vegetação florestal representa  88% do total. A vegetação dos fundos de vale, classificada segundo a fácies vegetal, com a respectiva área ocupada, está representada na tabela 14.

 

Tabela 14 - Classes de vegetação em km2 em 2001

Classes

Área (km2)

% do total

Florestal

11,60

36,12

Arbórea

16,87

52,54

Capoeira

1,11

3,46

Rasteira

2,53

7,88

Total

32,11

100,00

 

 

Uma das maiores presenças do domínio florestal ocorre nos fundos de vale da bacia do ribeirão Cambé. Devido à sua localização próxima ao Centro Histórico, essa situação evidencia que no início da expansão urbana, a preocupação com a manutenção dos fundos de vale estava mais presente. O mesmo ocorre com o ribeirão Água Fresca, que foi a primeira fonte de abastecimento da cidade. Apesar de não preservar o domínio florestal, sua vegetação arbórea é mantida por meio de repovoamento de espécies.

Outra bacia que tem a vegetação de seu fundo de vale bem protegida é a do ribeirão Cafezal, não apenas pelas acentuadas declividades presentes, o que dificulta sua ocupação, mas, sobretudo porque o processo de expansão urbana nesta região ainda é recente e o padrão de ocupação, com chácaras rurais, promove uma densidade rarefeita.

Contudo, ao norte do sítio urbano se observam resquícios de vegetação arbórea, capoeira e vegetação rasteira, somente nos fundos de vale dos ribeirões Lindóia, Quati e Ibiporã e, da mesma maneira, somente em poucas vertentes que drenam para o ribeirão Jacutinga.