IMPLANTAÇÃO DE LONDRINA

Voltar a pagina principal

Rosely Sampaio Archela; Mirian Vizintim Fernandes Barros; Omar Neto Fernandes Barros; Hervé Théry; Neli Aparecida de Mello. Lúcia Helena Batista Gratão

 

Londrina foi planejada em Londres e implantada pela Companhia de Terras Norte do Paraná - CTNP para ser a capital da área de colonização e sede da gestão imobiliária dessa empresa, no Norte do Paraná.

De acordo com Monbeig (1984) e Prandini (1954) a matriz londrina da CTNP, organizada em 24 de setembro de 1925, por Arthur Thomas e Antonio Moraes Barros, dividiu as terras em lotes agrícolas para atrair colonos de todo o Brasil, principalmente os cafeicultores. Logo que as qualidades da terra foram constatadas e as derrubadas da densa floresta foram intensificadas, o preço da terra atingiu valores mais altos, que foram facilitados por meio de parcelamento.

O modelo de ocupação do Norte paranaense pela CTNP consistiu na divisão de lotes rurais de pequena área – cerca de 10 a 20 alqueires –, com previsão de núcleos de apoio rurais, mais tarde transformados em cidades devido ao crescimento demográfico e econômico. Desde o início, a Companhia preocupou-se com a extensão das vias de comunicação, inclusive em terras que não eram de sua propriedade. Entre 1926 e 1928, a CTNP preparou um projeto de construção de ferrovias com o objetivo de ligar Londrina ao oceano Atlântico via porto de Santos em São Paulo e  também com Paranaguá no Paraná. Também foram planejadas as rodovias Leste-Oeste, hoje a BR-369, para o escoamento da produção além de ramificações laterais.

 O modelo também previa a criação de pólos de produção distanciados de 100 em 100 km (cidades como Londrina, Maringá – antiga Lovat –, Cianorte e Paranavaí) e de outros intermediários, com 12 a 15 km de distância entre si (cidades como Cambé – antiga Nova Dantzig –, Rolândia e Arapongas). Esta formação em rede de cidades visava certo isolamento político e a possibilidade de se formarem núcleos econômicos com a implantação de patrimônios, pólos comerciais e centros abastecedores intermediários. Em cada cidade, as datas foram divididas em comerciais e residenciais e na área rural,  em pequenos lotes de 10, 15 e 20 alqueires com frente para as estradas vicinais. A fundação da cidade de Londrina ocorreu em agosto de 1929 como um centro de operações deste planejamento imobiliário-colonizador, e foi elevada à condição de município em 1934.

Quase toda a floresta Tropical-Subtropical que ocupava a região, foi devastada para dar lugar às lavouras de café e a expansão urbana. A inexistência de um planejamento racional de extração ou de reflorestamento possibilitou a derrubada de várias madeiras de lei, utilizadas para construção das primeiras moradias na região. Esta prática de edificação em madeira durou aproximadamente quarenta anos, tempo suficiente para a devastação completa das reservas florestais paranaenses. Com a escassez de madeira no final da década de 1960 e início de 1970, as construções de madeira passaram a ter um custo alto em relação às construções em alvenaria.

Com a expansão das lavouras cafeeiras na década de 1940 e a necessidade de mão-de-obra para manutenção das mesmas iniciou-se um fluxo migratório para a região. A política de erradicação da cafeicultura implantada a partir da década de 1950 provocou a substituição do café por culturas cerealistas rotativas, principalmente da soja e do trigo. Nessa troca, a mão-de-obra utilizada na colheita do café já não era mais necessária, o que provocou um intenso processo de êxodo rural, principalmente nas décadas seguintes quando houve a mecanização da lavoura e a utilização de insumos agrícolas.

A modernização trouxe várias transformações à estrutura de produção e também ao uso do solo, repercutindo na qualidade do ambiente. A substituição da cultura perene pela rotativa expõe o solo por alguns meses do ano, possibilitando a lavagem do substrato mais fértil pela lixiviação pluvial; a erosão do terreno e o assoreamento de rios e córregos, além da contaminação do solo e da água pela utilização de fortes insumos utilizados no controle de pragas.

Na década de 1960 a população londrinense passou a apresentar seus mais elevados índices de urbanização. Com a implantação de indústrias a cidade, tornou-se um pólo regional, econômico, cultural e de serviços, processo este que se estendeu à década de 1970, com o incentivo do governo por meio de isenção de impostos e financiamentos a baixo custo para implantação.