INDICADORES DE TRANSFORMAÇÃO AMBIENTAL 

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Neli Aparecida de Mello; Mirian Vizintim Fernandes Barros; Rosely Sampaio Archela; Omar Neto Fernandes Barros; Hervé Théry; Lúcia Helena Batista Gratão.

 

O perfil colorido dos edifícios e construções entremeando-se no verde da vegetação, nem sempre expõe a situação problemática dos diversos ambientes urbanos. Um olhar mais atento revela um quadro de contrastes, ou seja, usos adequados do ambiente natural contrapondo-se às formas abusivas de apropriação e transformação de seus recursos sem respeitar os condicionantes naturais.

O assunto qualidade ambiental tem merecido atenção no Brasil desde os anos 1980, quando, por meio de determinados valores atribuídos aos ambientes, foram declarados os padrões técnicos de qualidade do ar, água e solos em normas regulatórias estabelecidas pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente - CONAMA e Conselhos Estaduais, ao mesmo tempo em que organismos internacionais de estatísticas também discutiam sobre critérios para sua validação. Nas décadas seguintes foi profícuo o número de estudos experimentando diferentes conjuntos de variáveis capazes de representá-la. Para a grande maioria, o conceito e o estudo da qualidade ambiental urbana têm sido analisados de acordo com os seus indicadores.

 A definição dos indicadores de transformação ambiental fundamentou-se em três etapas que demonstram onde e como ocorrem os usos e abusos no meio ambiente urbano de Londrina.

1 – identificar dados estatísticos indicadores de transformação no ambiente natural da cidade;

2 - comparar dados estatísticos censitários com os obtidos por meio da análise de imagens de satélite, e

3 - relacionar informações de trabalho de campo com os obtidos anteriormente.

As variáveis: rede de abastecimento de água, rede coletora de esgoto, rede coletora de resíduos, condições de impermeabilização e densidade de ocupação, substituição da vegetação, condições de uso nas bacias hidrográficas e conflitos territoriais entre uso do solo e sua preservação, foram parâmetros adotados para a proposição de uma tipologia relativa aos indicadores de transformação do meio ambiente. Na tabela 26, verifica-se a adequação destes parâmetros à realidade ambiental urbana de Londrina.

Alguns destes parâmetros já haviam sido inicialmente propostos em Mello (1997) para o estudo de bacias hidrográficas urbanas, posteriormente ampliadas com variáveis estatísticas censitárias em Barros et al (2003), Mello e Bertone (2006) e Mello e Théry (2005).

A análise dos bairros de Londrina baseados na tabela que corresponde aos critérios quali-quantitativos das variáveis indica às condições de risco ambiental em 5 classes, cujo leque de abrangência varia de risco muito alto a risco muito baixo, de acordo com o percentual de ocorrências das variáveis.

As ocorrências situadas entre 81 a 100% representam um gradiente muito alto de risco ambiental e corresponde a classe 1; ocorrências variando entre 61 e 80%, de risco alto correspondem à classe 2, e; as variações entre 41 e 60%, de risco médio, correspondem à classe 3. A classe 4, de risco baixo, varia entre 21 e 40% e, finalmente, a classe 5, de risco muito baixo, representa o agrupamento cujos percentuais dos fenômenos alteram-se entre 0 e 20% (tabela25).

 

Tabela 25 - Matriz de critérios quali-quantitativos das variáveis estudadas

 Variáveis

Critérios quali-quantitativos

Rede de abastecimento de água

Atendimento por poço

Atendimento por “Outra forma”

 

 

 

Rede coletora de esgoto

Fossa rudimentar

Fossa séptica

 

 

 

Rede coletora de resíduos

Resíduos jogados nos logradouros

Resíduos jogados nos rios

 

 

 

Condições de impermeabilização e densidade de ocupação

Percentuais entre 0 e 20%

Entre 20 e 40%

Entre 40 e 60%

Entre 60 e 80%

Entre 80 e 100%

Substituição da vegetação natural

Por áreas urbanas

Por áreas industriais

Por áreas agrícolas

 

 

Condições de uso nas bacias hidrográficas

Bacias relativamente preservadas, com matas-galeria

Redução das condições em função da devastação das matas galerias

Matas galerias inexistentes

 

 

Conflitos territoriais entre uso do solo e sua preservação

Uso de APP, em margens de rios e lagos

Áreas de declividade superior a 45º

 

 

 

 

A velocidade em que a construção do ambiente social ocorre, promove a interferência nas condições naturais de renovabilidade dos ecossistemas, muitas vezes ultrapassando o limite do mesmo em recuperar-se naturalmente. Ao impermeabilizar o solo com a construção da cidade e ao alterar as condições de manutenção das características florísticas e faunísticas de um ecossistema, a cidade gera a degradação ambiental, tornando impossível a sua recuperação.

A partir do mapa de uso do solo estabeleceu-se uma tipologia em cinco classes de capacidade de infiltração em:

- muito baixa: capacidade de infiltração mínima característica de área residencial, industrial, uso misto, uso público, comércio e ruas.

- baixa: característica de área urbana em expansão e favelas.

- média: característica de áreas com vazio urbano e loteamento.

- alta: característica de áreas de uso agrícola, vegetação rasteira, fundo de vale sem vegetação, uso especial, praça não urbanizada, praça urbanizada, jardim de representação e verde viário.

- máxima: característica de áreas de unidade de conservação, parque de bairro, fundo de vale com vegetação e vegetação arbórea arbustiva.

A matriz (tabela 26) indica a qualidade ambiental das regiões da cidade, caracterizadas de acordo com sua ocupação em: de inicial a 1987; de 1987 a 1993; de 1993 a 2001; e a atual.


 

Tabela 26 - Indicadores de qualidade ambiental por região da área urbana de Londrina - Quadro-síntese de riscos e suas tipologias

AGRUPAMENTO POR BAIRROS

REDE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

REDE COLETORA DE ESGOTO

REDE COLETORA DE RESÍDUOS SÓLIDOS

USO DO SOLO

CONFLITOS TERRITORIAIS

PERDA DA VEGETAÇÃO ORIGINAL

HIDROGRAFIA

 

Rede geral

Poço

Outra forma

Rede coletora

Fossa séptica

Fossa rudimen-

tar

Cami-

nhões

Logra-

douro

Jogado nos rios

Densidade de construção

Uso do solo e APP

Urbano

Agrícola

Industrial

 

Centro Histórico

5

5

5

1

1

1

 

 

Sem risco de comprometimento para córregos e ribeirões

Região pericentral

5

5

5

1

1

1

 

 

Sem risco de comprometimento para córregos e ribeirões da bacia do Cambé

Área construída

até 1987 

4

4

5

2

1

2

4

4

Vertente de menor densidade de ocupação da bacia Cambé (risco 4)

Área construída até 1993 

4

3

5

2

 

3

3

 

 

Área construída

até 2001

4

3

5

3

1

2

 

2

Vertentes com densidade média de ocupação na bacia do ribeirão Cafezal (risco 3) e baixa densidade de ocupação à montante do ribeirão Cambé (risco 4)

Perímetro

Urbano 2004

Risco 1 região sul - bairros: Esperança e Terra Bonita.

Risco alto - (Universidade, Vivendas do Arvoredo e Chácaras São Miguel).

Risco 3 no quadrante norte (Eldorado e Cidade Industrial) e risco 4 (Lindóia e Cilo 3)

Risco 1 na região norte e risco 3 na região sul

Risco 5 - na região norte -bairro Eldorado.

Região leste - bairro Cidade Industrial 2.

Região sudeste - bairros: Parque das Indústrias e União da Vitória.

Região oeste - bairro Olímpico.

 

 

2

 

1

3 Risco 5 - região nordeste, próximo ao ribeirão Quati e afluentes: Água das Pedras e Córrego dos Crentes

 

 

 

Classes de Risco Ambiental:

Risco 1 - muito alto - ocorrências entre 81 a 100%.

Risco 2 - alto - ocorrências entre 61 e 80%.

Risco 3 - médio - entre 41 e 60%.

Risco 4 - baixo - entre 21 e 40%.

Risco 5 - muito baixo - entre 0 e 20%.