Projeto LEAFRO
Desde o início do século XX inúmeros pesquisadores, educadores, artistas e intelectuais têm manifestado a preocupação com a valorização da cultura brasileira e com a produção intelectual nacional. Embora essa preocupação tenha perpassado todo o século XX, constatamos que no século XXI a cultura brasileira, que é constituída pela contribuição de vários grupos étnico-raciais ainda não é valorizada em sua totalidade, pois, ainda há muita dificuldade em reconhecer a contribuição afro-brasileira como parte da cultura nacional. O resultado da desvalorização de parte das manifestações culturais do povo brasileiro provoca e reforça a estigmatização e a exclusão do negro e do índio em nossa sociedade.
É nessa perspectiva que este projeto se insere no objetivo de contribuir com a valorização da cultura negra em espaços privilegiados como a escola de Educação Básica, utilizando como um dos instrumentos os conteúdos e as atividades propostas pela Lei 10.639. A lei promulgada em 09 de janeiro de 2003 prevê o Ensino da História e Cultura Afro-Brasileira e Africana em todos os níveis de ensino.
As ações propostas por este projeto são desenvolvidas em Londrina e Jacarezinho, privilegiando bairros da periferia e escolas de baixo IDEB; uma vez que, no Paraná, há um esforço constante nos diferentes municípios sejam pequenos, médios ou grandes, de instituir a história e os discursos que nomeiam a formação cultural a partir de pioneiros de origem européia. No caso do Norte o Paraná, onde as migrações oriundas especialmente do Nordeste são expressivas e fundamentais para a configuração da mão-de-obra das lavouras de café dos anos de 1940 a 1980, podemos constatar que a presença do povo negro está submetida ou mesmo apagada. Nesse afastamento do negro na formação antiga e recente das cidades do Paraná algumas esferas são especialmente importantes: a cultural e a educacional. Não é possível conhecer a riqueza cultural patrimonial de um povo em duplo sentido de patrimônio material (monumental) e de patrimônio imaterial (espiritual e cultural), sem conhecer a extensão de suas atividades. A história do negro na cidade de Londrina e da região norte do Paraná ainda está sendo construída, portanto, desconhece-se a contribuição da cultura do negro – da cultura de raiz afro-brasileira.
As ações e os diálogos do LEAFRO estão voltados, nesta perspectiva, para o espaço privilegiado da educação e formação que influencia profundamente a trajetória individual e os rumos para a construção de uma sociedade mais justa. Nas escolas configuram-se processos de sedimentação da negação da diversidade entre os grupos sociais, neste caso a população negra na história das cidades e nas manifestações culturais cotidianas.
O público alvo do projeto são as populações em situação de vulnerabilidade, em especial da população negra que apresenta desvantagens em todos os indicadores sociais. Nas escolas, o projeto visa atingir: professores, funcionários, estudantes e os pais dos estudantes da educação Básica dos Municípios (Londrina e Jacarezinho) envolvidos pelo projeto.
A partir de pesquisas anteriores constatou-se que a população negra em Londrina, assim como em todas as cidades do país, vivencia uma realidade de exclusão, de desvantagens em relação ao mercado de trabalho, ao rendimento, aos anos de escolaridade, e, sobretudo, em relação à expectativa de vida. Portanto, os diálogos culturais que pretendemos instalar com as populações alvo do projeto serão orientados para romper com os processos de silenciamento, discriminação, e exclusão a que a população negra esta submetida tirando-a da invisibilidade e promovendo a valorização da cultura e da identidade afro-brasileira tendo como referência a Lei 10.639/2003. Com o objetivo de desenvolver uma articulação maior entre a Universidade e Ensino Fundamental, contaremos com a participação dos estagiários do Curso de Licenciatura em Ciências Sociais e Pedagogia, que poderão desenvolver atividades com a comunidade escolar em um processo de formação continuada, visando à produção de materiais didáticos e a discussão sobre a temática prevista pela Lei. A partir desse pressuposto teórico, os caminhos metodológicos percorridos são os que seguem:
Realização de Oficinas:
a) Oficinas de Memória; b) Contação de Histórias; c) Oficina Teatro-Escola; d) Oficinas sobre a Lei 10.639/03.
Realização de Cursos:
a) Cultura Afro-Brasileira; b) Literaturas Africanas de Língua Portuguesa.
Os resultados esperados são: dar visibilidade à cultura e à memória coletiva afro-brasileira, tanto no que diz respeito à História e Cultura Afro-Brasileira e Africana quanto às questões do cotidiano que ligam o presente ao passado; contribuir para a emergência das identidades individuais e coletivas presentes na cultura afro-brasileira, por meio do resgate e registro de valores compartilhados, promovendo a auto-estima da população negra; produzir material de apoio (textual, iconográfico, artístico, informativo, vídeográfico, entre outros); para a implementação da Lei 10.639/03; disseminar a produção existente e estimular pesquisas coletivas nas escolas sobre a situação em Londrina, Jacarezinho e regiões adjacentes para apreensão de conhecimento e aprofundamento da História dos negros no Brasil para professores da educação básica e dos futuros professores; reduzir a presença dos estereótipos e estigmas disseminados no cotidiano das pessoas envolvidas com o projeto, sobretudo fornecendo instrumentos para que professores, pais, estudantes e funcionários possam identificar as situações de discriminação racial e combatê-las de forma eficaz e criativa; consolidar o intercâmbio entre a UEL, as regiões periféricas de Londrina e da região norte paranaense.
O Projeto LEAFRO é vinculado ao Programa Universidade Sem Fronteiras (Subprograma Diálogos Culturais) da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Estado do Paraná. O Programa de Extensão Universitária Universidade Sem Fronteiras – SETI/PR tem por objetivo executar uma política de extensão para as Instituições de Ensino Superior do Estado do Paraná, priorizando o financiamento de projetos em áreas estratégicas para o desenvolvimento social de populações socialmente vulneráveis, nas periferias das cidades paranaenses e de municípios que apresentem indicadores sociais baseados em IDH-M (Índices de Desenvolvimento Humano Municipal) insatisfatórios.
