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Ano 4 · Edição número 6 · ISSN: 1678-1317 ·   Dezembro de 2006.    Busca   


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PROPAI-DF - PROGRAMA DE PROMOÇÃO E APOIO A INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA FÍSICA: UM PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA

autor: Porfª Angela Maria Sirena Alpino; Ariele Bortolin Borges; Camila Bonomo; Carolina Kruleske da Silva; Cinthia Tiemi Kariatsumari; Fernanda Cid Rosolem; Flavia de Freitas Pena; Frederico Scuta Garcia; Jenifer Silva de Souza; Larissa Laskovski; Natália Dal'A

RESUMO

O PROPAI-DF é desenvolvido por professores e acadêmicos do curso de fisioterapia da UEL em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Londrina e tem por objetivos favorecer a participação de alunos com deficiência física no ensino regular; contribuir para a capacitação específica de seus professores e para a formação do profissional fisioterapeuta. Os participantes são alunos com deficiência física matriculados nas escolas municipais de Londrina e seus professores. São utilizados dois instrumentos: um para avaliação da acessibilidade do ambiente físico escolar (barreiras universais, mobiliário), identificação das necessidades de apoio dos alunos e existência de adaptações que favoreçam sua participação; outro para avaliação funcional dos casos mais comprometidos. As necessidades levantadas têm norteado a indicação de adaptações do mobiliário, espaço físico e recursos de baixa tecnologia necessários à mobilidade e participação desses alunos na escola. Os professores participantes recebem capacitação específica por meio de palestras sobre as mais freqüentes condições determinantes de deficiência física; o comprometimento funcional; cuidados e implicações educacionais relacionadas. Em 2004 foram avaliados 52 alunos em 34 escolas. As condições mais freqüentes foram a paralisia cerebral (48%), doença neuromuscular, mielomeningocele, malformação/amputação de membros e artrogripose. Atualmente, o número de alunos com deficiência física se aproxima de 105 em 51 escolas. A carência de recursos humanos capacitados e adaptação do mobiliário/espaço físico são condições freqüentes nessas escolas, evidenciando a importância da atuação do fisioterapeuta como colaborador no processo educacional de alunos com deficiência física, tanto para favorecer sua acessibilidade/participação, quanto para a capacitação específica dos professores.

Palavras-chave: Deficiência física, fisioterapia, inclusão escolar.



     

RELATO DE EXPERIÊNCIA

A deficiência física é definida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais – Adaptações Curriculares (PCNs) como “uma variedade de condições não-sensoriais que afetam o indivíduo em termos de mobilidade, coordenação motora geral ou de fala, como decorrência de lesões neurológicas, neuromusculares e ortopédicas, ou ainda, de malformações” (BRASIL, 1999, p.26). Wolf et al (1990) complementam afirmando que, além dos aspectos acima indicados, a deficiência física pode interferir na aprendizagem e adaptação do indivíduo, prejudicando freqüentemente sua socialização, devido à redução da mobilidade. Frente ao exposto, eles destacam a importância de proporcionar ao portador de deficiência física o apoio adequado e a acessibilidade livre de barreiras.

Considerando, ainda, o acesso ao currículo escolar, de crianças com deficiência física, Hinderer; Hinderer e Shurtleff (1995) indicam que a limitação na sua mobilidade e locomoção poderá manifestar-se ampliada no contexto do ambiente educacional devido ao aumento das distâncias, barreiras ambientais e habilidades requeridas, sendo freqüente a sua exclusão do grupo, no intervalo e nas aulas de educação física.

Considerando a deficiência neuromuscular e musculoesquelética, freqüentemente associada às condições determinantes de deficiência física, nossa proposta apóia a literatura existente sobre o processo educacional dessas crianças, ao sugerir que elas possam ter sua participação e convivência comprometida na escola regular pelas limitações na capacidade de locomoção, postura ou uso das mãos (WOLF et al, 1990; HINDERER et al, 1995, MAZZOTA, 1997). Não obstante o comprometimento funcional supracitado deve-se destacar as condições adversas, comumente presentes no contexto das escolas públicas, traduzidas pela inadequação dos espaços físicos e do mobiliário escolar, bem como pela inexistência de adaptações e equipamentos de tecnologia assistiva que poderiam contribuir para a independência funcional desses alunos (ALPINO, 2003).

De acordo com Carlson e Ramsey (1995), a tecnologia assistiva corretamente prescrita e utilizada, especialmente com relação ao posicionamento adequado, pode prevenir complicações secundárias à deficiência decorrentes da sustentação postural inadequada dos segmentos corporais; e quanto à locomoção, pode proporcionar maior mobilidade e independência na escola.

A Declaração de Salamanca (BRASIL, 1997) ressalta a importância de ser dispensado apoio contínuo a alunos especiais através de programas pedagógicos suplementares, professor especializado e pessoal de apoio externo, quando necessário, para obtenção de melhor comunicação, mobilidade e aprendizagem. O documento aponta, ainda, pesquisas regionais e nacionais como meio de elaboração de tecnologia de apoio apropriado às necessidades educacionais especiais. Segundo Manzini (1999), a falta de recursos e do apoio de uma equipe técnica competente, pode tornar-se um entrave na questão da inclusão do aluno com deficiência, podendo inviabilizar a proposta como um todo.

Hellen, Frederick, Dikes, Best, Cohen (citados por LAUAND, 2000) sugerem que os professores de alunos com deficiências deveriam apresentar competências que incluem entre outras, noções de caracterização e avaliação; forma de proporcionar instruções para o desenvolvimento de habilidades quanto ao uso de comunicação alternativa e equipamento de tecnologia assistiva; quanto à independência e adaptações nas atividades e tarefas. Os professores deveriam estar aptos, ainda, a desenvolver o planejamento e o arranjo do ensino e do ambiente de aprendizagem (posicionamento, acessibilidade, precauções).

A consultoria colaborativa consiste em um modelo de suporte baseado no trabalho colaborativo entre profissionais especializados (psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais) e educadores da escola comum (MENDES, 2006). Para Friend (2002), a colaboração tem se revelado a principal estratégia contemporânea para alimentar a inovação, criar e sustentar programas eficazes. Considerando a dificuldade do educador em conhecer efetivamente as necessidades de todos os seus alunos, a autora sugere que a junção de conhecimentos e habilidades de profissionais especializados em estratégias instrucionais, abordagens de aprendizagem cooperativa, problemas comportamentais e práticas de avaliação, entre outros saberes poderiam propiciar a criação coletiva de escolas mais efetivas.

Este projeto que tem por finalidade proporcionar apoio ao atendimento educacional de alunos com deficiência física no ensino público regular. A proposta tem sido orientada fundamentalmente à promoção da mobilidade e participação dos alunos participantes, buscando a adequação do ambiente físico pela eliminação de barreiras arquitetônicas, a adaptação do mobiliário e implementação de recursos adaptados; e pela capacitação específica dos professores.

Anualmente, a secretaria municipal de educação fornece à equipe do PROPAI-DF a relação das escolas que apresentam alunos com deficiência física matriculados. A partir desse levantamento realizamos visitas às escolas e aplicamos um instrumento denominado Caracterização dos Alunos com Deficiência Física e das Condições de Acessibilidade e Mobilidade na Escola Regular, junto aos professores e alunos participantes (após obtenção de consentimento livre e esclarecido dos pais).

Por meio dessa avaliação, identificamos os alunos que apresentam comprometimento motor moderado/grave e realizamos avaliação das habilidades funcionais e do grau de assistência necessária à execução de atividades funcionais, empregando o Inventário de Avaliação Pediátrica de Disfunção (P.E.D.I. - Pediatric Evaluation of Disability Inventory), desenvolvido por Haley et al (1992).

Em 2004 o PROPAI-DF avaliou 52 alunos com deficiência física em 34 escolas municipais. As mais freqüentes condições encontradas foram a paralisia cerebral (48%), doença neuromuscular (9.6%), mielomeningocele (9.6%), malformação/amputação de membros (5.7%) e artrogripose (3.8%), entre outras. Atualmente, o número de alunos com deficiência física se aproxima de 105 em 51 escolas ainda em processo de avaliação pela equipe do projeto. Conhecidas as condições de acessibilidade escolar e as necessidades de apoio dos alunos participantes, damos continuidade às discussões em equipe sobre as adequações e adaptações necessárias à promoção da mobilidade e participação desses alunos no contexto educacional, buscando-se soluções simples a partir da realidade existente. Ao final, elaboramos um relatório contendo as indicações para cada aluno ou escola avaliada e apresentamos para a equipe responsável pela Educação Especial da secretaria municipal de educação.

Muitas adaptações do mobiliário têm sido feitas em madeira pelo pessoal da marcenaria da prefeitura, mediante orientação da coordenadora do PROPAI-DF. Temos conseguido, ainda, alguns materiais com a direção das escolas ou através da UEL para implementação de adaptações simples (lápis, espuma, E.V.A.); no entanto, os recursos de tecnologia assistiva essenciais para melhorar a mobilidade e desempenho dos alunos, como: cadeira de rodas infantil, andadores e estabilizadores são freqüentemente inexistentes e inviáveis devido a carência de recursos financeiros.

Durante o ano de 2005 e 2006, a equipe do PROPAI-DF ministrou palestras a 168 professores de sala e de educação física, sobre as mais freqüentes condições determinantes de deficiência física; o comprometimento funcional resultante; cuidados; implicações educacionais relacionadas; e necessidade de adaptações das atividades, materiais pedagógicos, espaço físico e mobiliário escolar.

CONCLUSÃO

Apesar de a escola inclusiva requerer condições especiais (recursos humanos, pedagógicos e de acessibilidade) que apóiem o processo educacional dos alunos com deficiência, a carência de adaptação do mobiliário e/ou espaço físico, bem como de capacitação dos recursos humanos constituem condições freqüentes nessas escolas. Neste contexto, a contribuição do fisioterapeuta como colaborador no processo educacional de alunos com deficiência física tem-se revelado importante, tanto no sentido de favorecer sua acessibilidade e participação, quanto para a capacitação específica dos professores.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALPINO, A. M. S. O Aluno com Paralisia Cerebral no Ensino Regular: ator ou expectador do processo educacional? - Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Educação Especial – Universidade Federal de São Carlos – UFSCar: São Carlos, 2003.

BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial Parâmetros Curriculares Nacionais: adaptações curriculares, estratégia para a educação de alunos com necessidades educacionais especiais. Brasília,1999.

BRASIL. Ministério da Justiça. Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Declaração de Salamanca e linhas de ação: sobre necessidades educativas especiais. 2.ed. Brasília: Corde, 1997.

CARLSON, S. J.; RAMSEY, C. Assistive Technology. In: S. K. CAMPBELL (org.) Physical Therapy for Children. Philadelphia : W. B. Saunders Company, 1995. p.621.

FRIEND, M. An Interview with… Intervention in School and Clinic, v.37, n.4, p. 223-228 2002.

HALEY, S. M. et al. Pediatric Evaluation of Disability Inventory (PEDI). Development, Standardization and Administration Manual. Boston : New England Medical Center Hospital,1992.

HINDERER, K. A.; HINDERER, S. R.; SHURTLEFF, D. B. Myelodysplasia. In: CAMPBELL, S.K. (org.). Physical Therapy for Children . Philadelphia :W.B. Saunders Company, 1995. p.571.

LAUAND, G. B. A. Acessibilidade e formação Continuada na Inserção Escolar de Crianças Com Deficiências Físicas e Múltiplas - Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Educação Especial – Universidade Federal de São Carlos – UFSCar: São Carlos, 2000.

MANZINI, E. J. Integração do aluno com deficiência: perspectiva e prática pedagógica. Marília: CAPES/UNESP,1999.

MAZZOTA, M. J. S. Fundamentos de educação especial. In: Série Cadernos de Educação. 2ª ed. São Paulo: Pioneira, 1997.

MENDES, E.G. Colaboração entre ensino regular e especial: o caminho do desenvolvimento pessoal para a inclusão escolar. In: MANZINI, E.J.(org). Inclusão e acessibilidade. Marília: ABPEE, 2006. p.29-41.

WOLF, B. et al.. Instructor’s edition for human exceptionality. 3.ed. Boston: Allyn and Bacon, 1990.




   
 
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