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Ano 4 · Edição número 6 · ISSN: 1678-1317 ·   Dezembro de 2006.    Busca   


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AVALIAÇÃO DA FUNÇÃO MOTORA GROSSA EM CRIANÇAS COM PARALISIA CEREBRAL POR MEIO DA GMFM-88

autor: Ana Lúcia Paschoaletti; Profa. Eliane da Silva Mewes Gaetan; Flávia Natalício; Gisele Chaves Duarte; Kamila Franzin da Silva; Thaís Ferreira Petroni

RESUMO

Paralisia Cerebral (PC) é um grupo de desordens motoras, não progressivas, resultantes de lesão cerebral nos primeiros estágios do seu desenvolvimento. É classificada em: espástica, atáxica, atetóide e mista. Pode-se também classificá-la em: quadriparesia, diparesia e hemiparesia. O desenvolvimento motor normal possui uma seqüência ordenada de aquisições de habilidades, variando em proporção. Entretanto, na PC ocorrem alterações que interferem nesta seqüência, gerando diminuição ou não aquisições de habilidades. Gross Motor Function Measure (GMFM), é um instrumento padronizado que mensura a mudança na função motora grossa ao longo do tempo sobre o aspecto quantitativo. O objetivo deste estudo consistiu em comparar a GMFM de crianças hemiparéticas e diparéticas. Participaram nove crianças com PC (quatro hemiparéticas e cinco diparéticas), na faixa etária de 1 a 6 anos, realizando tratamento no Ambulatório de Fisioterapia Pediátrica do HU/UEL, entre duas a quatro vezes por semana. Utilizou-se a escala GMFM-88. Observou-se que crianças diparéticas apresentaram-se mais uniformes em seus escores que hemiparéticas, nas dimensões A e B. Porém, nas demais dimensões houve maior variabilidade, tanto na criança mais velha quanto na mais nova, em ambos os casos. Provavelmente, devido ao comprometimento e por estarem em processo de aquisição de novas habilidades. Conclui-se que o GMFM-88 auxilia na observação de aquisições das habilidades em crianças com PC, auxiliando no planejamento, reavaliação e direcionamento do tratamento fisioterápico.


PALAVRAS-CHAVE: Paralisia Cerebral. Habilidades Motoras. GMFM.



     

INTRODUÇÃO
      Paralisia Cerebral (PC) é o termo usado para designar um grupo de desordens motoras, não progressivas, porém sujeitas às mudanças, resultantes de uma lesão no cérebro nos primeiros estágios do seu desenvolvimento. Os fatores de risco são de origem pré-natal, peri-natais e pós-natais. A PC é dividida em quatro grandes grupos: espástica, atáxica, atetóide e mista. Segundo o local comprometido e o quadro clínico resultante, podem-se ter as seguintes formas: quadriparesia, diparesia e hemiparesia (LEVITT, 2001). Hoje, é reconhecido que o desenvolvimento motor normal se dá numa seqüência ordenada de aquisições de habilidades, apesar da variabilidade na proporção desta (MANOEL, 1997). Entretanto, a lesão na PC interfere na seqüência do desenvolvimento. Os sintomas do retardo motor são seguidos cedo ou tarde, pelo aparecimento de padrões anormais de postura e movimento, em associação com tônus postural anormal presente em todos portadores de PC, resultando, essencialmente, numa diminuição de aquisições das habilidades motoras ou até mesmo a não aquisição destas (BOBATH, 1979). A função motora grossa das crianças com PC tem sido mensurada por meio de vários instrumentos, entre eles a Medida da Função Motora Grossa (GMFM). Este tem como objetivo avaliar a função motora ou até o ponto ao qual a criança pode realizar uma determinada atividade. É um índice avaliativo da função motora ampla e muda em função do tempo ou depois da terapia, sobretudo em crianças com PC ou com doenças cerebrais (MOURA & SILVA, 2005). Este instrumento foi especialmente elaborado para ser aplicado em crianças com PC, pois contém itens que são relevantes ao comprometimento motor observado neste tipo de patologia (MOURA & SILVA, 2005).

OBJETIVOS
      Comparar a função motora grossa de crianças com PC hemiparéticas e PC diparéticas por meio da escala Medida da Função Motora Grossa (GMFM-88).

MATERIAIS E MÉTODOS
      Participaram do estudo nove crianças com diagnóstico de PC, quatro hemiparéticas e cinco diparéticas, na faixa etária de 1 a 6 anos, realizando tratamento no Ambulatório de Fisioterapia Pediátrica do Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina (HU/UEL), entre duas a quatro vezes por semana. Foi utilizada a escala GMFM-88, um instrumento padronizado que mensura a mudança na função motora grossa ao longo do tempo sobre o aspecto quantitativo, que consiste em 88 itens de mesmo peso, agrupados em cinco dimensões (A: Deitar e rolar - 17 itens; B: Sentar - 20 itens; C: Engatinhar e ajoelhar - 14 itens; D: Ficar em pé - 13 itens; e, E: Andar, correr e pular - 24 itens). Cada item é pontuado em uma escala de 0 a 4 pontos, sendo graduado 0 o indivíduo que não inicia o movimento; 1 aquele que inicia o movimento, mas não o completa (efetua menos de 10% do movimento); 2 aquele que completa parcialmente o movimento (10% a menos de 100%); e 3 aquele que realiza o movimento ou postura solicitada. As crianças foram analisadas por cinco observadoras treinadas por profissional capacitada e autorizada a utilizar a GMFM em pesquisas.

RESULTADOS E DISCUSSÕES
      Nas dimensões A e B foi verificado que quase todas as crianças atingiram pontuação máxima, tanto hemiparéticos, quanto diparéticos, sendo que as menores pontuações foram obtidas por aquelas com menor idade (Tabela 1). Na dimensão C, as dificuldades aparecem principalmente nas crianças hemiparéticas quando solicitadas a ficarem em quatro pontos e nesta posição liberar o membro superior não afetado, dificuldades justificadas pelo fato do comprometimento de um hemicorpo gerar dificuldade nas transferências de peso. Ao contrário, em diparéticos, devido o comprometimento ser maior em membros inferiores que nos membros superiores, não ocorre interferência na posição de três pontos. Na dimensão D, as crianças diparéticas apresentam maior déficit que as hemiparéticas em atividades que exigem passagem de postura de ajoelhado para semi-ajoelhado, bilateralmente, e na postura em pé, pelo comprometimento dos dois membros inferiores. No item E as crianças com maior idade são as que atingem maior pontuação, porém nenhuma delas conseguiu a pontuação máxima (Tabela 1), tanto as hemiparéticas quanto as diparéticas tiveram dificuldades em saltar, subir e descer degraus sem auxílio dos membros superiores e alternando os pés. As crianças diparéticas apresentam-se mais uniformes em seus escores que as hemiparéticas, nas dimensões A e B. No entanto, nas demais dimensões há maior variabilidade, tanto na criança mais velha, quanto na criança mais nova em ambos os casos. Provavelmente, devido ao comprometimento e ainda por estarem em processo de aquisição de novas habilidades, como relatado por Gaetan et al. (2004) em seus estudos. Russel (1993) cita que por volta dos 5 anos de idade, crianças sem atraso motor podem geralmente completar todos os itens da GMFM. Em nossa amostra, possuímos crianças com idade superior à sugerida por Russel que não realizam 100% do solicitado, sendo que a criança com maior escore (98,65%) é classificada como hemiparética à esquerda e possui 6 anos de idade. Teckin (2002) afirma que o GMFM é uma medida que deve ser usada com o propósito de avaliar as mudanças na função motora grossa sobre o aspecto quantitativo, sem preocupar-se com a qualidade do desempenho.

TABELA 1. Alguns dados da amostra e escore obtido em cada dimensão e total



CONCLUSÃO

Conclui-se que o GMFM 88 auxilia na observação de aquisições das habilidades motoras grossas em crianças com PC, sendo um instrumento de planejamento para o tratamento fisioterápico a se realizar, servindo como guia para reavaliação, mostrando as habilidades motoras adquiridas e auxiliando na reestruturação de terapias.

AGRADECIMENTOS

Agradecemos aos pacientes e familiares pela colaboração com este estudo. Aos estagiários do 4° ano de Fisioterapia da UEL que durante o estágio puderam fornecer informações e auxiliar em nossas avaliações. À coordenadora Eliane da Silva Mewes Gaetan, pela orientação e paciência. Às colaboradoras: Ana Lúcia Paschoaletti, Flávia Natalício, Gisele Chaves Duarte, Kamila Franzin da Silva e Thaís Ferreira Petroni, pelo empenho e dedicação ao mesmo.

REFERÊNCIAS

BOBATH, K. Deficiência Motora em Pacientes com Paralisia Cerebral. São Paulo: Manole Ltda, 1979.

BOBATH, K. Uma Base Neurofisiológica para o Tratamento de Paralisia Cerebral. São Paulo: Manole, 1989.

GAETAN, E. S. M. NISHIDA, A. P. VICENTIN, D. H. SANTOS, L. C. ROYER, S. T. Comportamento motor de crianças com paralisia cerebral. Revista Uningá, 1:63-68, 2004.

HAGBERG, B. Nosology and Classification of Cerebral Palsy. Giornale di Neuropsichiatrica del Eta Evolution, 4(supl): 12-17, 1989.

LEVITT, S. O Tratamento da Paralisia Cerebral e do Retardo Motor. 3ª ed. São Paulo: Manole, 2001.

MANOEL, E. J.; CONNOLLY, K. J. Variability and stability in the development of skilled actions. In: CONNOLLY, K. J.; FORSSBERG, H. (Eds.). Neurophysiology and neuropsychology of motor development. London: Mac Keith Press, 1997, pp. 286-318.

MOURA, E.W.; SILVA, P.A.C. Fisioterapia: Aspectos clínicos e práticos da reabilitação. São Paulo: ed. Artes Médicas Ltda, 2005.

RUSSEL, D. ROSENBAUM, P. GROWLAN, C. HARDY, S. LANE, M. PLEWS, N. et al. Gross motor function measure manual. 2ª ed. Toronto: MC Master University; 1993.

TECKLIN, J. S. Fisioterapia Pediátrica. 3ª ed. São Paulo: ArtMed, 2002.


   
 
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