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Ano 4 · Edição número 6 · ISSN: 1678-1317 ·   Dezembro de 2006.    Busca   


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ASSISTÊNCIA INTEGRAL À FAMÍLIA DE PREMATUROS NASCIDOS EM UM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

autor: Profa. Sarah Nancy Deggau Hegeto de Souza; Profa. Edilaine Giovanini Rossetto; Talita Bengozi; Leticia Mayumi Hayakawa; Adriana Ferreira Oliveira; Ana Beatriz F. E. dos Santos; Julianna Leticia G. C. Gomes; Natalia Paludeto Guerreiro; Simoni Batistela; Ma

RESUMO
O nascimento de uma criança traz profundas modificações para toda a família, sob diferentes aspectos. Despertam-se ansiedades e tensões. Isso ocorre de forma exacerbada no parto prematuro, sendo necessário auxiliar as famílias no enfrentamento da ansiedade, medo, fantasias e rejeições. O período fetal e neonatal inicial exibe a taxa de mortalidade mais alta que qualquer faixa etária. O HU, como hospital de referência para gestação de risco, atende, um grande número de prematuros. O presente projeto visa oferecer atendimento integral ao prematuro nascido no Hospital Universitário da Universidade Estadual de Londrina e sua família, dando suporte no enfrentamento das situações advindas da demanda de cuidado do seu filho prematuro. A proposta inclui atendimento hospitalar, ambulatorial e domiciliar, nas seguintes etapas: contato no dia do nascimento; atendimento individual semanal durante a hospitalização; treinamento para a alta; visita domiciliar pré alta e pós alta para preparar e acompanhar na adaptação da família à nova rotina; consulta de enfermagem no ambulatório, quando necessário; realização de reuniões com grupo de pais dos prematuros. Desde sua implantação, o projeto conta com 35 famílias cadastradas e atendidas, com as quais foram realizadas as etapas propostas. Foram detectados inúmeros problemas para atuação dos diferentes membros da equipe.

Palavras chave: prematuro; família; assistência integral.



     

INTRODUÇÃO

      A gestação e o nascimento de uma criança trazem profundas modificações para toda a família, sob diferentes aspectos e, principalmente traz consigo o surgimento de novos vínculos afetivos. Despertam-se ansiedades e tensões. Isso ocorre de forma exacerbada no parto prematuro, onde os pais foram programados para uma gestação a termo e sadia. Desta forma, trabalhar com as crianças implica trabalhar com seus pais, especialmente com sentimentos e atitudes, procurando entender o funcionamento emocional, abolindo a postura crítica, hostilidade e juízos de valores, percebendo e auxiliando na resolução da ansiedade, medo, fantasias e rejeições dos pais em relação ao filho (WONG, 1999).
      Com os avanços tecnológicos, aumentaram as taxas de sobrevida. A taxa de mortalidade infantil em 2000, segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil foi de 28,3 por 1000 nascidos vivos, enquanto que no Paraná foi de 19,6 e na Região Sul, 17,1 (BRASIL, 2004). Levando-se em consideração a mortalidade proporcional por idade para crianças menores de 1 ano, encontra-se que no Brasil, no ano de 2000, mais de 60% morrem no primeiro mês de vida, que corresponde a mortalidade neonatal (precoce e tardia), e, cerca de 36% morrem com 28 dias ou mais. Dos nascidos vivos, no Brasil 7,70% tinham baixo peso ao nascer. Araújo (2003) refere que a prematuridade é responsável por cerca de 70% das mortes que ocorrem no primeiro ano de vida e por 50% das seqüelas neurológicas do recém-nascido. Segundo Sousa (2004), embora os lactentes de baixo peso ao nascimento compreendam apenas 7% de todos os nascimentos, eles são responsáveis por dois terços do total de mortes neonatais.
      Nas recomendações do Ministério da Saúde para redução da mortalidade infantil, no que se refere à atenção ao recém nascido, encontra-se: "garantir o acompanhamento do RN após a alta do hospital, por meio da implementação do programa da vigilância do RN de risco" (CARVALHO, 2002). O Ministério da Saúde propõe acompanhamento ambulatorial para garantir a continuidade da assistência ao bebê e sua família; avaliar o equilíbrio psicoafetivo entre o bebê e sua família; detectar e intervir nas situações de risco como ganho de peso inadequado, sinais de refluxo gastroesofágico, infecções, apnéias, entre outros (BRASIL, 2002), assegurando que o bebê receba toda a assistência necessária.
      O Hospital Universitário de Londrina (HUL) é um hospital de referência regional para gestação de risco, atende, na UTI Neonatal, portanto, possui uma grande porcentagem de RNs prematuros e de baixo peso ao nascer. A taxa de prematuridade, em 2003, foi de 37,77%.
      Diante do exposto, docentes do Departamento de Enfermagem da UEL resolveram iniciar uma atuação junto a esses bebês e famílias, visando oferecer um atendimento integrado , considerando a prematuridade um evento que envolve toda a família, fazendo-se necessário uma assistência que abordasse não apenas o aspecto biológico, mas também emocional, sociocultural, econômico e político, com levantamento de problemas e estabelecimento de metas a serem alcançadas, dando suporte a essas famílias no enfrentamento das situações advindas do nascimento e da demanda de cuidado do seu filho prematuro.
      Acredita-se que a assistência oferecida de forma integral possa interferir positivamente no crescimento e desenvolvimento adequado do prematuro, prevenindo os riscos à saúde inerentes ao contexto da criança, promovendo o aleitamento materno para prevenir o desmame precoce, tendo como meta uma melhor qualidade de vida para o bebê e melhores possibilidades de enfrentamento da nova situação pela família, minimizando o sofrimento.
      Para tanto, o referido projeto teve como objetivos:
      1. Implantar um Programa de Acompanhamento ao prematuro e sua família, desde seu nascimento até pós-alta hospitalar.
      2. Propiciar campo de atuação e aprendizado para alunos de graduação e pós-graduação, relacionado à assistência ao prematuro e sua família.

DESENVOLVIMENTO DO PROJETO
      Inicialmente planejávamos fazer atendimento apenas no Ambulatório do HC, através de consultas de enfermagem, reforçando orientações e sanando dúvidas. Mas, com a vivência dentro do projeto, observamos que, para obtermos um relacionamento com as famílias, baseado em confiança e fidedignidade, a criação de vínculo era essencial estabelecendo uma relação de confiança. Revimos nossa proposta e reformulamos o projeto que inicia-se na Maternidade e UTI Neonatal do HUL, quando alunas verificam o nascimento de bebês prematuros com peso inferior a 1500 gramas, cadastram a criança através do preenchimento de uma ficha com dados iniciais obtidos no prontuário e iniciam o contato e atendimento multiprofissional com a mãe e família do bebê.
      Esse primeiro contato é realizado o mais precoce possível, antes da mesma sair de alta. É um momento de escuta e apoio emocional, onde são realizadas orientações sobre seu bebê, sobre rotinas hospitalares e manutenção do estímulo da mama para produção e coleta de leite materno. Colocamo-nos a disposição para qualquer dúvida e oferecemo-nos a acompanha-la na visita para seu bebê, para apóia-la e estimular o contato. Diversos contatos são realizados durante a internação pelas docentes, alunas, residentes de enfermagem e demais profissionais do projeto e, a cada contato, procura-se observar: comparecimento dos pais e demais membros da família; vínculo com o bebê; suporte e estrutura familiar; estado emocional da mãe / pai; situação do aleitamento materno: ordenha, freqüência e quantidade de leite trazido para o bebê; via de administração da dieta (SOG, copinho); sucção na mãe; cuidados realizados pela mãe com o RN; dúvidas; participação em reunião de pais; ganho de peso para programação de alta.
      Com a proximidade da alta, inicia-se um treinamento de cuidados com o bebê, como, por exemplo, banho, e treina-se o que for necessário para a mãe sentir-se segura nos cuidados que precisará dispensar em casa. Também é agendada uma visita pré-alta, onde fazemos um reconhecimento do ambiente familiar, auxiliando os pais a prepararem seus lares para receber o bebê, dentro da realidade de cada família.
      Após a alta, voltamos às casas para continuar a assistência, auxiliando as famílias a superarem as dificuldades iniciais, ajustando o planejamento elaborado anteriomente com a família e verificando as condições de saúde do bebê. Outro aspecto de extrema importância que o projeto está trabalhando é a referência do bebê e família à Unidade de Saúde da Família (USF) da área de abrangência da região onde residem. Entramos em contato e visitamos as USFs, e, por vezes, até vamos com a equipe da USF no domicílio das famílias e passamos as informações do bebê referentes ao nascimento e internação e os cuidados que deverão ser mantidos no acompanhamento desses bebês e famílias após a alta.

ALGUNS RESULTADOS OBTIDOS
      Alguns resultados preliminares são: temos 45 famílias cadastradas. Os pesos de nascimento variaram de 710 a 1585 gramas. Apenas 2 desses bebês foram a óbito e o atendimento, então, interrompidos. Com as demais famílias, realizamos uma média de 3 a 10 contatos durante a internação, além de diversos momentos de auxílio à amamentação, treinamento e acompanhamento de visita na unidade. Realizamos visita pré-alta a cerca de um terço dessas famílias e visita pós alta a praticamente todos os bebês que já estão em casa. Salientamos que essas famílias residem não somente em Londrina, mas em outros municípios como: Porecatu, Andirá, Ibiporã, Rolândia, Cambe e o Distrito de Lerrovile, entre outros.
      Contatos também foram realizados com diversas Unidades Básicas de Saúde, em todas essas cidades e em Londrina, na área de abrangência das famílias visitadas. As equipes da UBS têm percebido o projeto como uma parceria importante e têm aderido à proposta, continuando o acompanhamento e a troca de informação conosco.
      Os principais problemas detectados nos acompanhamentos são: introdução do aleitamento artificial; reinternações por infecções pulmonares e de vias aéreas superiores; refluxo gastro-esofágico; perda de peso ou dificuldade de ganho de peso; cansaço e insegurança materna; dificuldades com os outros filhos; problemas financeiros e sociais graves.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
      Os resultados obtidos até agora confirmam a necessidade desse novo olhar sobre o acompanhamento desses bebês e famílias nessa situação de crise, estabelecendo vínculos fortes e duradouros e uma relação de confiança mútua entre profissionais e famílias.
      Dessa forma acreditamos que os resultados serão mais positivos e o impacto na redução da morbi-mortalidade dessas crianças será mais expressivo. Famílias mais saudáveis e seguras estarão mais aptas a cuidarem de seus bebês e o apoio da equipe através de uma relação terapêutica poderá minimizar o sofrimento e amparar o enfrentamento da crise.

REFERÊNCIAS

ARAÚLO, B.F. de. Prematuridade: perspectiva atual. Rev.Ciências Médicas, v.1, n.2, abr/jun 2003.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Área de Saúde da Criança. Atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso: método mãe-canguru: manual do curso. Brasília: Ministério da Saúde, 2002.

BRASIL. Ministério da Saude. Disponível em: < http:// tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?idb2002/a09.def>. Acesso em: 05/09/04.

CASANOVA, L.D.; VALLE, L.M.S.do; SANTOS, W.A . Humanização em unidades neonatais. In: SEGRE, C.A .M. Perinatologia: fundamentos da prática. São Paulo: Sarvier, 2002. Cap. 47, p.866-869.

FREITAS, M. de. Seguimento do recém-nascido de risco. In: SEGRE, C.A .M. Perinatologia: fundamentos da prática. São Paulo: Sarvier, 2002. cap. 49, p.873-880.

KENNER, C. Assistência à família de recém-nascidos de alto risco. In: ___________. Enfermagem neonatal. 2ed. Rio de Janeiro: Reichmann&Affonso Editores, 2001. cap. 6, p.259-286.

KENNER, C. Planejamento de alta e assistência hospitalar. In: ___________. Enfermagem neonatal. 2ed. Rio de Janeiro: Reichmann&Affonso Editores, 2001. cap. 7, p.287-336.

KLAUS, M.H.; KENNEL, J.H. Assistência aos pais. In: KLAUS, M.H.; FANAROFF, A.A. Alto risco em neonatologia. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995. cap.7, p.139-155.

SOUSA, L.R. de. Perinatologia atual. Disponível em: . Acesso em 05 setembro 2004.

WONG, D.L. Whaley & Wong – Enfermagem pediátrica: elementos essenciais à intervenção efetiva. 5ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999. cap.22, p.599-666.




   
 
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